Papa marca seu aniversário com um novo livro

O papa João Paulo II faz hoje 84 anos. E, mais do que com festejos, seu aniversário está sendo comemorado com o lançamento de um novo livro, misto de memórias de sua Polônia nativa, um toque de autocrítica e a defesa do celibato no sacerdócio. ?É um dia normal de trabalho e, acima de tudo, de graças a Deus pelo presente da vida?, disse o porta-voz do Vaticano Joaquin-Navarro Valls. Mas confirmou que o palácio papal está sendo inundado de votos de felicidades pelo aniversário de sua santidade. O papa tem mantido uma agenda cheia, a despeito do mal de Parkinson e problemas no joelho e na bacia. Hoje, recebeu a visita da bispos americanos e do primeiro-ministro José Durão Barroso, de Portugal, cuja delegação irrompeu em um Parabéns a você em português. À tarde, estava marcada a visita do presidente da Polônia. ?Para o sempre jovem guarda da paz?, dizia o jornal L?Osservatore Romano, em seus cumprimentos de parabéns. Nas livrarias da Itália e de vários outros lugares do mundo, a última obra literária de João Paulo II - Levante-se, Vamos - já está disponível. É uma seqüência de Dom e Mistério, um relato do início do sacerdócio de Karol Wojtyla, lançado em 1996. E chega uma década após a publicação de Cruzando o Limiar da Esperança, que vendeu 20 milhões de cópias em todo o mundo. Este último livro retrata os anos do papa na Cracóvia, onde ? como Wojtyla ? foi bispo e depois arcebispo, mas também toca em seus anos depois da eleição como primeiro papa polonês, em 1978. Ele relembra sua paixão pelo teatro e a consciência de que nunca seria um ?grande ator?, embora tenha sido o sofrimento em sua volta, causado pela Segunda Guerra, que o levou a abandonar a carreira. E diz que, enquanto os que defendem o fim do celibato baseando-se na solidão do sacerdócio, ele pessoalmente nunca se sentiu solitário. Em 1958, segundo suas lembranças, ele fez uma viagem de canoa até Varsóvia a chamado do primaz da Igreja Católica da Polônia, cardeal Stefan Wyszynski, que o queria nomear bispo de Cracóvia. ?Vossa Eminência, sou muito jovem ? tenho apenas 38 anos?, ele disse ao cardeal. ?Essa é uma fraqueza de que nos curamos rapidamente?, respondeu Wyszynski. ?Por favor, não se oponha ao desejo do Pai Sagrado.? O livro conta dos esforços comunistas para suprimir a igreja na Polônia, os embates de Wojtyla com as autoridades para protegê-la e os encontros clandestinos que organizava com intelectuais e cientistas. João Paulo diz que viu sua primeira viagem como papa ? ao México em janeiro de 1979 ? como ?um passo que poderia abrir o caminho para uma peregrinação à Polônia. Pensei que os comunistas, na Polônia, não poderiam recusar-me uma visita à minha terra natal, se eu fora recebido por uma nação com uma constituição secular, como tinha o México?. Naquele junho, o papa fez sua primeira visita à Polônia. Num momento de autocrítica, o papa nota que ?uma parte do papel do pastor é admoestar? e diz que talvez não tenha conseguido ser rigoroso o suficiente em seus tempos na Cracóvia. ?Talvez eu possa ser reprovado porque não tentei ser severo bastante? nesses anos, escreveu. ?Mas isto decorre de minha personalidade.? João Paulo escreveu o livro entre março e agosto de 2003, redigindo algumas partes ele mesmo, em polonês, e ditando outras. A obra está sendo editada em polonês, italiano, francês, alemão e espanhol. A editora italiana Mondadori diz que está negociando os direitos para a edição em lingua inglesa.

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