Alessandro Di Meo/AP
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Papa oferece ajuda a presidente da Colômbia em processo de paz

Em encontro no Vaticano, Francisco se ofereceu pessoalmente e colocou a Igreja Católica à disposição para ajuda em negociações com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc)

O Estado de S. Paulo

15 de junho de 2015 | 11h25

CIDADE DO VATICANO - O papa Francisco se ofereceu pessoalmente e colocou a Igreja Católica à disposição do presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, para ajudar nas negociações de paz com as Forças Armadas Revolucionarias da Colômbia (Farc) em uma audiência nesta segunda-feira, 15, no Vaticano, segundo relato do próprio líder colombiano.

"O que eu puder fazer pessoalmente ou o que a Igreja puder fazer, conte conosco. Damos apoio e se precisar que tenhamos participação estamos dispostos a fazê-lo", teria dito Francisco, de acordo com as declarações de Santos pouco depois da audiência com o pontífice.

A oferta do papa trata-se de um apoio importante em um momento que as negociações entre o governo da Colômbia e as Farc passam por algumas dúvidas em razão dos recentes confrontos entre os dois lados e dos atentados cometidos pelos rebeldes nos últimos dias.

"Na conversa particular, foi discutido o processo de reconciliação em andamento neste país (Colômbia), da complexidade das negociações e das expectativas que se abrem caso seja alcançado um acordo de paz", detalhou o Vaticano em comunicado oficial.

Francisco e Santos conversaram a portas fechadas por cerca de 20 minutos na biblioteca privada do papa, no palácio apostólico. "Você é a pessoa por quem mais tenho rezado. Peço muito, muito pelo processo de paz", afirmou o papa no início do encontro. "Vim para isso, para pedir ajuda e iluminação", respondeu Santos.

Ainda segundo o presidente colombiano, o encontro com Francisco "foi algo que tocou o fundo de seu coração". "Pedi que ele siga rezando por mim e pelo colombianos. Preciso de sua ajuda e sua iluminação."

Depois da conversa particular, a delegação colombiana - formada por cerca de dez pessoas, incluindo a chanceler María Angela Holguín - também teve um breve encontro com Francisco.

Além da habitual troca de presentes, o papa também benzeu um pequena bandeira da Colômbia enfeitada com uma pomba da paz que, segundo fontes da delegação, ficará no escritório do presidente.

Questionado sobre uma possível mediação da Igreja Católica ou do próprio papa, Santos respondeu com cautela e disse que "apesar de falarem de possibilidades, isso teria que ser algo que partisse das duas partes" da negociação.

Santos também disse que Francisco não definiu uma data nem um ano para uma viagem à Colômbia, mas admitiu que um acordo de paz "seria determinante para a visita."

O mandatário sul-americano também se reuniu com o Secretário de Estado do Vaticano, Pietro Parolin, o número dois da política da cidade-Estado. Santos continuará nesta semana uma viagem pela Europa para demonstrar os avanços no diálogo com as Farc, em Havana.

O governo de Santos e as guerrilhas das Farc realizam em Havana (Cuba) desde novembro de 2012 negociações de paz e alcançaram acordos parciais, mas têm pendentes, entre outros, o tema das vítimas e da deposição de armas após meio século de conflito. / AFP

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