Papa oficializa Rio como sede de Jornada Mundial da Juventude

Cidade concorria com Belo Horizonte; reunião ocorrerá em 2013 para não coincidir com a Copa do Mundo

José Maria Mayrink, O Estado de S.Paulo

21 de agosto de 2011 | 00h00

Uma semana de eventos da Igreja para os jovens e com os jovens, assim o papa João Paulo II determinou que fosse a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), criada por ele em 1985 com a intenção de reunir milhares de rapazes e moças do mundo todo para viver a fé católica, em meio a mensagens de esperança e amizade, num clima de oração e alegria.

A primeira JMJ levou a Roma milhares de participantes, em 1986, um sucesso que se repetiria nos anos seguintes - nas reuniões convocadas a cada dois ou três anos em cidades da Europa, América, Ásia e Oceania, com 12 celebrações até esta de Madri. No total, já são 26 JMJ, pois nos intervalos são convocadas jornadas locais ou regionais, por iniciativa de dioceses de todo o mundo.

João Paulo II participou das nove primeiras reuniões, até 2002, quando viajou a Toronto, no Canadá, apesar de já estar velho e muito doente.

"Vós sois jovens e o papa é idoso, e ter 82 ou 83 anos não é a mesma coisa que ter 22 ou 23", disse o polonês Karol Wojtyla diante de 800 mil pessoas, acrescentando que, apesar da idade, continuava a identificar-se com as esperanças e as aspirações da juventude.

Em 2005, Bento XVI compareceu à JMJ de Colônia, na Alemanha. Mais de um milhão de jovens cantaram e rezaram com Joseph Ratzinger que, por coincidência, fazia ao país natal sua primeira viagem internacional, em agosto, após ter sido eleito papa em abril. Três anos depois, ele presidiu a 23.ª JMJ em Sydney, na Austrália. No encerramento, convocou, para 2011, o encontro de Madri.

O papa mantém a tradição, ao anunciar agora que a próxima JMJ será realizada no Rio de Janeiro. Uma formalidade, para dar caráter oficial ao anúncio, porque a notícia já era esperada.

O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), cardeal d. Raymundo Damasceno Assis, havia adiantado a notícia em maio, na assembleia-geral do episcopado, com a ressalva de que ela teria de ser confirmada por Bento XVI em Madri.

Antes de o papa fazer a convocação, o porta-voz da Santa Sé, padre Federico Lombardi, adiantou, na quarta-feira, que o Rio receberia a 28.ª JMJ. Era a opção mais provável, concorrendo com Belo Horizonte, que também estava no páreo. Marcou-se o encontro para 2013, portanto dois anos depois da reunião na Espanha, para não coincidir com a Copa de 2014. Bento XVI terá, então, 86 anos.

Paralelamente ao tema central proposto para cada JMJ, o papa levanta questões pastorais e faz apelos diretos, no contexto que a Igreja Católica vive no momento. Foi o que Bento XVI fez na quinta-feira, ao aconselhar a juventude a viver a fé com liberdade.

"Eu volto a dizer aos jovens, com todas as forças do meu coração: que nada e ninguém lhes tire a paz; não tenham vergonha do Senhor", exortou o papa, ao falar das dificuldades que muitos jovens cristãos enfrentam para e manifestar suas crenças.

A JMJ de Madri reuniu cerca de 600 mil jovens de quase 200 países, segundo os organizadores. O Brasil enviou uma das delegações mais numerosas, com mais de 14 mil jovens, em geral ligados a movimentos pastorais. Somando-se os adultos, as celebrações têm mais de um milhão de participantes.

A representação oficial da CNBB conta com mais de 500 pessoas, entre as quais 60 bispos. A cidade que reuniu maior número de participantes num encontro da JMJ foi Manila, nas Filipinas, com cerca de quatro milhões de pessoas, em 1995.

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