Max Rossi/Reuters
Max Rossi/Reuters

Papa pede que eleição na Venezuela seja solução para crise no país

Em discurso no qual abordou os principais riscos para a paz mundial, Francisco pediu que país aceite ajuda humanitária

Jamil Chade, CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

08 Janeiro 2018 | 13h00

GENEBRA -  O papa Francisco disse nesta segunda-feira, 8, estar preocupado com a Venezuela e defendeu a realização de eleições como a solução para a crise política e econômica no país. A declaração foi feita nesta segunda-feira, em seu tradicional encontro anual com os 183 embaixadores de países com representações junto à Santa Sé. 

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“Penso na querida Venezuela, que está atravessando uma crise política e humanitária cada vez mais dramática e sem precedentes”, disse, em um discurso. “A Santa Sé, ao mesmo tempo que exorta a responder sem demora às necessidades primárias da população, almeja que se criem as condições para que as eleições, agendadas para o ano em curso, sejam capazes de dar solução aos conflitos existentes, e se possa olhar de novo com serenidade para o futuro.”

Ao longo de seu discurso, o papa citou países considerados como riscos para a paz mundial. Nos últimos meses, a Santa Sé tentou mediar um diálogo entre a oposição e o governo de Nicolas Maduro, sem sucesso. 

Fontes diplomáticas sul-americanas confirmaram que, com os canais de comunicação interrompidos entre a Santa Sé e Caracas, a aposta hoje do Vaticano é de que a eleição possa ser uma oportunidade para dar legitimidade a um novo governo. Mas, para isso, a preocupação é com eventuais fraudes ou tentativas de manipulação. 

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Em novembro, Maduro anunciou que as eleições presidenciais vão ocorrer em 2018. “Em 2018, chova, troveje ou relampeie, vamos ter eleições presidenciais como manda a Constituição e confio o voto na consciência do povo”, disse. Alguns dias depois, o vice-presidente Tareck El Aissami anunciou que  Maduro seria candidato à reeleição. 

Oriente Médio

Francisco  também se referiu à situação em Israel e nas cidades palestinas e à decisão do governo americano de transferir sua capital de Tel Aviv para Jerusalém. 

"A Santa Sé, ao exprimir o seu pesar por quantos perderam a vida nos recentes confrontos, renova o seu premente apelo a ponderar bem cada iniciativa para que se evite de exacerbar as contraposições e convida a um esforço comum por respeitar, em conformidade com as pertinentes Resoluções das Nações Unidas, o status quo de Jerusalém, cidade santa para cristãos, judeus e muçulmanos”, disse.  “Setenta anos de confrontos tornam extremamente urgente encontrar uma solução política que consinta a presença na região de dois Estados independentes dentro de fronteiras internacionalmente reconhecidas.”

Armas 

O discurso do papa ainda foi interpretado por diplomatas na sala como um recado de que a política externa conduzida pelo governo de Donald Trump não é compartilhada pelo Vaticano. “É com negociação, e não com armas, que devem ser dirimidas as eventuais controvérsias entre os povos”», defendeu. 

Ele ainda destacou a incessante produção de armas cada vez mais sofisticadas e aperfeiçoadas e o prolongamento de numerosos surtos de conflito. “É o que eu chamo de  terceira guerra mundial aos pedaços”, acrescentou. 

O recado era direcionado especialmente à situação da tensão entre a Coreia do Norte e o EUA. “É de suma importância que se sustente toda a tentativa de diálogo na península coreana, a fim de se encontrar novos caminhos para superar as contraposições atuais, aumentar a confiança mútua e garantir um futuro de paz ao povo coreano e ao mundo inteiro”, disse.

Em seu discurso, Francisco ainda lamentou que, 70 anos depois da assinatura da Declaração Universal dos Direitos Humanos, “muitos direitos fundamentais são violados ainda hoje”. “E, primeiro dentre eles, o direito à vida, à liberdade e à inviolabilidade de cada pessoa humana”, completou. 

 

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