Papa pede que Europa aceite imigrantes e crie empregos

O papa Francisco pediu nesta terça-feira que a Europa produza uma política de imigração unificada e justa, afirmando que dezenas de milhares de refugiados chegam à costa a cada ano precisando de aceitação e assistência, não de políticas interesseiras que colocam a vida em risco e abastecem o conflito social.

Estadão Conteúdo

25 Novembro 2014 | 12h21

Francisco fez as declarações no Parlamento Europeu durante um breve visita com o objetivo de destacar sua visão para a Europa, vinte e cinco anos depois de João Paulo II ter viajado a Estrasburgo para discursar para um continente ainda dividido pela Cortina de Ferro.

Recebido com aplausos educados no início de seu discurso e com uma longa ovação no final, Francisco disse que queria levar uma mensagem de esperança aos europeus, desconfiados de suas instituições, castigados pela crise econômica e espiritualmente à deriva numa cultura que, segundo ele, não valoriza mais a dignidade dos seres humanos.

"Uma Europa que não se abre mais à dimensão transcendente da vida é uma Europa que se arrisca a, lentamente, perder sua própria alma", disse ele.

Num discurso que tratou de uma de suas maiores prioridades como papa - a necessidade de cuidar dos idosos, dos pobres e do meio ambiente - Francisco pediu que os legisladores promovam políticas que criem empregos e aceitem os imigrantes. "Não podemos permitir que o (Mar) Mediterrâneo se transforme num vasto cemitério!", declarou.

O jesuíta argentino costuma falar sobre as dificuldades dos imigrantes que buscam uma vida melhor na Europa. Ele viajou para a pequena ilha de Lampedusa, em 2013, para demonstrar solidariedade com os imigrantes que chegaram e homenagear os que morreram tentando, número que autoridades italianas estimam em mais de 2 mil somente em 2014. A Itália tem ficado com a responsabilidade, e os gastos, de resgatar os imigrantes, embora recentemente agências de fronteiras da União Europeia tenham ajudado.

Nesta terça-feira, Francisco advertiu que a falta de uma política de imigração coerente da UE "contribui para o trabalho escravo e a continuidade das tensões sociais". Ele pediu aos europeus que aprovem uma legislação que assegure que os imigrantes serão aceitos e adotem "políticas justas, corajosas e realistas" em relação a seus países de origem e ajude-os a resolver os conflitos que alimentam a imigração, "em vez de adotar políticas motivadas pelo interesse próprio, que aumentam e alimentam tais conflitos". Fonte: Associated Press.

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