Papa pede que europeus não esqueçam suas ´raízes cristãs´

O Papa Bento XVI e o Primaz da Igreja Ortodoxa da Grécia, o arcebispo Christodoulos, assinaram nesta quinta-feira, 14, uma declaração conjunta pedindo pelo diálogo inter-religioso e reafirmando suas posições sobre aborto e eutanásia. A declaração respaldou a melhora de relações entre as igrejas católica e ortodoxa, que estão divididas há quase 1.000 anos e ainda divergem em antigas questões doutrinárias. Christodoulos foi recebido em audiência por Bento XVI, que tem se esforçado para promover a unidade dos cristãos. Em discurso antes da declaração conjunta, o papa alertou a Europa contra secularização. "A Europa [...] não pode ser exclusivamente uma realidade econômica. Católicos e ortodoxos têm que oferecer suas contribuições culturais e, acima de tudo, espirituais", disse Bento XVI. "Eles têm, na verdade, o dever de defender as raízes cristãs do continente que moldaram através do séculos". Após a reunião, Bento XVI e Christodoulos assinaram uma declaração conjunta dividida em vários pontos. Entre estes, um pede às autoridades e aos cientistas "respeito ao caráter sagrado da pessoa humana e de sua dignidade". Ambos expressaram sua preocupação com as experiências sobre o ser humano, "que não respeitam a dignidade nem a integridade da pessoa em todos os períodos de sua existência, de sua concepção a seu fim natural", em clara referência ao aborto e à eutanásia. No discurso feito antes da assinatura da declaração, o Papa pediu ao arcebispo ortodoxo da Grécia que ambos enfrentem "juntos os desafios que se apresentam à fé cristã", como a "secularização crescente, o relativismo e o niilismo" que põem em risco "instituições fundamentais, como o casamento".Diálogo Na declaração comum, também pedem colaboração para fazer o continente europeu "redescobrir" suas raízes cristãs, "que forjaram as diferentes nações e contribuíram para o desenvolvimento de laços sempre mais harmoniosos entras elas". Por outra parte, o Papa e o Primaz ortodoxo reiteraram que a religião tem que servir para levar a paz ao mundo, e de forma alguma pode ser usada como pretexto para produzir intolerância e violência. "Como chefes religiosos cristãos, exortamos juntos todos os chefes religiosos a perseguir e a reforçar o diálogo ecumênico, e a trabalhar para criar uma sociedade de paz e de fraternidade entre as pessoas e entre os povos", diz o comunicado. Bento XVI e Christodoulos também pediram uma distribuição razoável dos bens no mundo, para atenuar a fome sofrida por muitas pessoas e para deixar para as próximas gerações "uma Terra verdadeiramente habitável". O encontro de hoje segue-se à visita que Bento XVI fez no dia 29 de novembro, durante sua viagem à Turquia, ao Patriarca Ecumênico ortodoxo, Bartolomeu I. A visita desta qunta é a primeira oficial de Christodoulos ao Vaticano. Até agora, o Primaz da Igreja Ortodoxa da Grécia só estivera na sede católica durante os funerais do Papa João Paulo II, em abril de 2005. Assim, o líder ortodoxo retribuiu a visita realizada em 2001 por João Paulo II a Atenas, Síria e Malta, onde foi recebido pelo Santo Sínodo da Igreja Ortodoxa da Grécia.

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