AFP PHOTO/Carl de Souza
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Papa pede que jovens tenham educação e trabalho para evitar radicalização

Na última parada no Quênia, Francisco visitou favela no distrito de Kangemi, na capital Nairóbi, e conversou com multidão em estádio, onde cobrou providências das autoridades africanas

O Estado de S. Paulo

27 de novembro de 2015 | 12h59

NAIRÓBI - O papa Francisco pediu nesta sexta-feira, 27, que as autoridades busquem garantir educação e trabalho aos jovens para evitar que eles se deixem "seduzir" pelos grupos violentos que os recrutam no nome da religião.

O pontífice se despediu do Quênia com esta mensagem durante um grande encontro com jovens, realizado em um estádio, onde respondeu a perguntas sobre "como evitar a radicalização" e o "que fazer contra a corrupção", problemas que preocupam especialmente a juventude africana.

"O primeiro que temos que fazer é checar porque um jovem cheio de esperança se deixa recrutar e se afasta da vida, porque aprende a matar", refletiu Francisco. "Se um jovem não pode estudar nem trabalhar, o que pode fazer? Delinquir, cair na dependência (drogas), se matar ou se alistar, enganado ou seduzido, em uma atividade que dá um objetivo à vida", assinalou.

As autoridades podem evitar isso proporcionando educação e trabalho, "porque sem isto não há futuro", reiterou o pontífice.

O papa também respondeu a um jovem que pediu um conselho para acabar com a corrupção: "Diariamente temos que pagar um extra para conseguir qualquer coisa, inclusive no colégio ou na universidade", lamentou o jovem.

"É algo que se gosta tanto como o açúcar, e que faz com que nossos países terminem diabéticos", ressaltou o pontífice, que advertiu que o suborno - prática estendida a todos os níveis em países como o Quênia - "não é um caminho de vida, mas de morte".

"Cada vez que aceitamos um suborno destruímos nosso coração, nossa personalidade e nossa pátria", apontou Francisco, que pediu aos jovens que "não tomem gosto desse açúcar".

O encontro com os jovens aconteceu depois do ato mais modesto de toda sua agenda em Nairóbi, a visita ao bairro de Kangemi, onde passou um tempo com cidadãos excluídos que têm "um lugar preferencial" em sua vida, como ele mesmo definiu.

O encontro no estádio esportivo foi uma manifestação mais festiva e colorida, como a cultura africana: danças, músicas e rezas coletivas que foram a despedida do papa da população queniana antes de partir para Uganda, a segunda etapa da primeira viagem de Francisco à África.

Em um emotivo gesto final, o papa pediu a todos os presentes que ficassem de pé e dessem as mãos para exclamar em coro: "todos somos uma nação".

Desigualdade. Na visita a uma favela de Nairóbi nesta sexta-feira, Francisco definiu essas comunidades como "feridas" abertas por uma rica e poderosa elite, e exortou os governos africanos a fazerem mais para tirar o povo da pobreza.

O papa visitou o distrito de Kangemi, um bairro de estradas esburacadas, esgotos a céu aberto e barracos precários, localizado a algumas centenas de metros de blocos de apartamentos em edifícios inteligentes e condomínios fechados.

Dirigindo-se aos moradores das favelas, trabalhadores de entidades beneficentes e o clero, em uma igreja local, o papa falou da "injustiça terrível da exclusão urbana" representada em tais áreas pobres.

"Estas são as feridas infligidas por minorias que se agarram ao poder e riqueza, que egoisticamente desperdiçam enquanto uma crescente maioria é forçada a fugir para periferias abandonadas, sujas e degradadas", disse.

Mesmo antes de se tornar o primeiro papa da América Latina, em 2013, o argentino era conhecido como o "bispo-favela" por causa de suas frequentes visitas a essas comunidades de Buenos Aires. / EFE e REUTERS

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