Papa procura reaproximação com a China

O papa João Paulo II pediu hoje perdão à China pelos erros e as culpas cometidos pelos cristãos no país asiático, e propôs retomar o diálogo e as relações diplomáticas, especialmente neste momento de "profunda inquietação" para a comunidade internacional. O mea culpa de João Paulo II e sua proposta de abrir uma nova fase nas relações entre a China e a Santa Sé estão contidos em uma mensagem enviada pelo pontífice ao simpósio inaugurado em Roma sobre a figura de Matteo Ricci, o missionário jesuíta que, em 1601, introduziu o cristianismo na corte imperial chinesa. "Seguindo o exemplo deste insigne filho da Igreja Católica, desejo reafirmar que a Santa Sé olhe o povo chinês com profunda simpatia", diz a nota. "São conhecidos os passos importantes dados pelo povo chinês nos campos social, econômico, educativo, apesar de não poucas dificuldades", continua a mensagem. O papa diz também que a China deve saber que a Igreja Católica tem o vivo propósito de oferecer, mais uma vez, um humilde e desinteressado serviço para o bem dos católicos chineses e por todos os habitantes do país". Dessa maneira, o pontífice introduziu um dos pontos-chave de seu discurso, respondendo diretamente ao pedido que Pequim havia feito no ano passado à Santa Sé para que se arrependesse pela cumplicidade histórica entre o cristianismo e a dominação estrangeira sobre a China. João Paulo II explicou que "a história nos lembra, desafortunadamente, que a ação dos membros da Igreja na China nem sempre esteve livre de erros" e, além disso, "esteve condicionada por situações difíceis, vinculadas a acontecimentos históricos complexos e com interesses políticos contrastantes". ?Em alguns períodos da história moderna, certa ´proteção´ de potências políticas européias não poucas vezes se revelou capaz de limitar a mesma liberdade de ação da Igreja e teve repercussões negativas para a China", acrescenta o papa em sua mensagem. O Santo Padre cita também as disputas teológicas que opuseram a Igreja de Roma e os ritos chineses. "Sinto profundo pesar por estes erros e limites do passado, e lamento que tenha gerado em muitos a impressão de uma falta de respeito e de estima da Igreja católica pelo povo chinês, induzindo os chineses e pensarem que era movida por sentimentos de hostilidade em relação à China", explicou o pontífice. "Por tudo isto, peço perdão e compreensão a todos os que de alguma maneira se sentiram feridos por essa maneira de agir dos cristãos", diz a mensagem. O papa Wojtyla recordou que "a China e a Igreja Católica, sob aspectos certamente diversos mas de nenhum modo opostos, são historicamente duas das mais antigas instituições viventes e atuantes no mundo e que, embora em âmbitos diferentes (político-social uma, religioso-espiritual outra),contam com mais de um bilhão de filhos e filhas". ?Não é um mistério para ninguém que a Santa Sé, em nome de toda a Igreja Católica - e, creio, em proveito de toda a humanidade - auspicia uma abertura de um espaço de diálogo com as autoridades da República Popular da China, no qual, uma vez superadas as incompreensões do passado, se possa trabalhar juntos para o bem do povo chinês e pela paz no mundo", afirma a mensagem. João Paulo II estende a mão a Pequim dizendo que "no momento atual, de profunda inquietação da comunidade internacional, exige de todos um apaixonado empenho para favorecer a criação e o desenvolvimento de vínculos de simpatia, de amizade e de solidariedade entre os povos". "Nesse contexto - prossegue a mensagem -, a normalização das relações entre a República Popular da China e a Santa Sé teria indubitavelmente repercussões positivas para os caminhos da humanidade".

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