Papa quer reavivar Missa Tridentina, antiga tradição católica

O papa Bento XVI está tomando medidas para reavivar a antiga tradição da liturgia Missa Tridentina em igrejas católicas ao redor do mundo, de acordo com fontes de Roma, segundo publicou o jornal inglês The Times. O papa assinou uma carta de permissão para que os padres possam celebrar novamente a missa, comumente realizada pela Igreja 1.500 anos atrás. A carta pode ser publicada nas próximas semanas. A Missa Tridentina nasceu com o surgimento do Concílio de Trento, que era formado por membros da Igreja Católica em Roma e tinha como um dos principais objetivos impedir a reforma protestante. O conselho ficou restrito a poucos bispos com o surgimento de uma nova cúpula no Vaticano, nos anos 60, o Concílio Vaticano Segundo, que realizou reformas liberalizantes. A Missa Tridentina é também conhecida por Missa Tradicional. Atualmente, os padres utilizam o Missal Romano de 2002 no Rito Romano da Missa, modificada segundo as instruções do Concílio Vaticano Segundo. Ao trazer de volta a tradição da Missa Tredentina, o papa Bento está sinalizando que simpatiza com facção mais conservadora da Igreja Católica. Membros da Igreja se rebelaram no passado contra o conselho, entre eles o arcebispo Marcel Lefebvre, que rompeu com Roma em 1988 porque discordava de suas reformas. Ele foi excomungado depois que concedeu o voto a dois bispos, um deles britânico, sem a permissão do papa. Alguns seguidores de Lefebvre em diversos países, incluindo o Brasil, que haviam tido cargos suspensos, já foram readmitidos. A volta do Tridentine Mass pode, segundo o "Time", trazer de volta a lembrança do que aconteceu no passado.Padres da Inglaterra e do País de Gales tinham permissão para celebrar a Missa Tridentina, mas não a realizavam constantemente. Com a carta de permissão do papa, qualquer padre pode realizar a missa, em qualquer lugar do mundo, ao menos que seu bispo tenha explicitamente proibido a tradição. Blogueiros católicos previam a atitude do papa. O blog "The Cornell Society" publicou que o padre britânico Martin Edwards foi avisado pelo cardeal Joseph Zen, de Hong Kong, há meses, que a carta havia sido assinada. O cardeal obteve através de reuniões privadas com Bento XVI.

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