Papa quer se reunir com líderes muçulmanos

Bento XVI convidou os embaixadores dos países com maioria muçulmana no Vaticano a umareunião na próxima segunda-feira, em Castelgandolfo, residência de verão dos papas, informaram fontes vaticanas. O convite foi estendido a autoridades religiosas muçulmanas naItália. No entanto, a principla instituição islâmica cortou relações com o papa. A iniciativa do Vaticano procura resolver a polêmica das últimas semanas, causada pelas palavras do papa na universidade alemã de Regensburg, que os muçulmanos consideraramofensivas à sua religião. O Papa Bento XVI disse em duas ocasiões que lamentava profundamente que suas palavras sobre o Islã e Maomé tenham sido mal compreendidas. Ele reafirmou que respeita profundamente osmuçulmanos, monoteístas como os cristãos.Principal instituição islâmica rompe com o VaticanoA instituição religiosa Al Azhar, a maisprestigiosa do mundo islâmico, decidiu suspender o diálogo com o Vaticano, em protesto contra as declarações do papa, segundo um dirigente citado pelo jornal egípcio "Al Misri al Iom". Omar al Dib, presidente da Comissão Permanente para o diálogo entre religiões, formada por representantes do Vaticano e da AlAzhar, disse que o papa deve apresentar um pedido de desculpas explícito por suas palavras, consideradas uma ofensa ao Islã e aMaomé, para que o diálogo com o Vaticano seja retomado. "O diálogo com o Vaticano foi suspenso. Não haverá contatos entre as duas partes antes de um pedido de desculpas oficial do Papa Bento XVI, por insultar o Islã e seu profeta", disse Dib, citado pelo jornal. "Ao citar a conversa entre um imperador bizantino e um intelectual persa, o papa se mostra de acordo com essa história", disse. Num discurso no dia 12 de setembro, em Regensburg (Alemanha), o papa citou um diálogo entre o imperador bizantino Manuel II Paleólogo (1350-1425) e um erudito persa. O imperador pedia a seu interlocutor que mostrasse algo que o mundo devesse a Maomé. Manuel II, respondendo a si mesmo, disse que só encontraria coisas "más e desumanas, como sua ordem de divulgar a fé que pregavausando a espada". Bento XVI declarou que a passagem de seu discurso era uma citação de um texto medieval que não expressa seu pensamento. Ele afirmou ainda que espera que a explicação do "autêntico sentido de suas palavras" sirva para "acalmar os ânimos". Mas a maioria dos líderes religiosos islâmicos exige desculpas claras. Youssef al-Qardaui, dirigente da União Mundial de Sábios Islâmicos (UMSI), composta por destacado clérigos de todo o mundo muçulmano, declarou nesta sexta-feira um "dia da ira", porém razoável e não violento, em protesto contra as declarações de Bento XVI.

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