Giuseppe Lami/Reuters
Giuseppe Lami/Reuters

Papa recebe Abbas para inauguração de embaixada no Vaticano

Líder da Autoridade Palestina se reuniu com o pontífice e criticou a proposta de Trump de mudar a representação americana em Israel de Tel-Aviv para Jerusalém

O Estado de S. Paulo

14 Janeiro 2017 | 18h42

VATICANO - O papa Francisco recebeu neste sábado, 14, em uma audiência privada no Vaticano o presidente da Autoridade Palestina (AP), Mahmoud Abbas, que, em seguida, inaugurou a embaixada palestina junto à Santa Sé.

A representação diplomática palestina está localizada em um prédio em frente ao Vaticano que já abriga as embaixadas do Peru e Burkina Faso junto à Santa Sé. Dirigindo-se brevemente aos repórteres em frente ao edifício, Abbas reiterou sua oposição à transferência da embaixada dos Estados Unidos em Israel de Tel-Aviv para Jerusalém. "Ainda não podemos dizer nada, uma vez que ainda não aconteceu, mas se isso acontecer, não ajudaria o processo de paz. Espero que isso não aconteça", declarou Abbas em árabe.

O presidente eleito dos EUA, Donald Trump, prometeu durante sua campanha eleitoral reconhecer Jerusalém como a capital de Israel e deslocar a embaixada americana. Se cumprir com esta promessa, romperia com a política histórica americana, que também é a da grande parte da comunidade internacional, para quem o status de Jerusalém, também reivindicado pelos palestinos como capital de seu futuro Estado, deve ser resolvido por meio de negociações.

Antes da inauguração, Abbas se reuniu por vinte minutos com o papa Francisco, que o acolheu calorosamente. Entre os presentes trocados, Abbas ofereceu ao papa uma pedra da igreja do Santo Sepulcro, em Jerusalém, afirmou Greg Burke, diretor de comunicação da Santa Sé. Em troca, o pontífice presenteou o líder palestino com uma medalha do Ano do Jubileu e cópias em árabe de encíclicas.

Durante o encontro, um jovem palestino presenteou Francisco com um uniforme de futebol com as cores palestinas e falou sobre o San Lorenzo, time preferido do papa, que é argentino. 

Conflito. Um comunicado do Vaticano "expressou a esperança de que negociações diretas entre Israel e palestinos sejam retomadas, a fim de acabar com a violência que causa sofrimento inaceitável às populações civis e chegar a uma solução justa e durável".

"É preferível adotar medidas com o apoio da comunidade internacional, favorecendo a confiança recíproca e contribuindo para criar um clima que permita tomar decisões corajosas em favor da paz", segundo a mesma fonte.

A audiência privada foi o terceiro encontro entre o papa e Abbas depois da visita em 2014 do pontífice a Israel e aos territórios palestinos ocupados e da vinda do líder palestino ao Vaticano em 2015 para a canonização de duas religiosas palestinas, Mariam Bawardi (1846-1878) e Marie-Alphonsine Ghattas (1843-1927).

As relações entre o Vaticano e a Autoridade Palestina atingiram uma nova fase em 2015 com a assinatura de um acordo que levou à criação de uma embaixada palestina no Vaticano. O acordo, selado dois anos após o reconhecimento pelo Vaticano da Palestina como um Estado, provocou a ira de Israel.

O Vaticano realiza um exercício diplomático delicado entre Israel e os palestinos, uma vez que comunidades católicas estão localizadas em ambos os lados deste berço do cristianismo que ainda é importante local de peregrinação.

Histórico. O primeiro papa a afirmar que os palestinos formavam um "povo" e não simplesmente um grupo de refugiados foi Paulo VI em 1975.

Em 1987, João Paulo II nomeou pela primeira vez um árabe palestino como patriarca latino em Jerusalém, o bispo Michel Sabbah, uma voz forte para lembrar a opressão sofrida pelos palestinos sob a ocupação israelense.

Paulo VI em 1964, João Paulo II em 2000, Bento XVI em 2009 e Francisco em 2014 visitaram a Terra Santa. /AFP

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