Papa reforça sua oposição à guerra contra o Iraque

O papa João Paulo II expressou hoje sua mais forte crítica até agora contra uma possível guerra contra o Iraque, dizendo que o uso da força só é aceitável como "último recurso" e apenas sob certas condições."A guerra nem sempre é inevitável. Sempre é uma derrota para a humanidade", disse o papa a diplomatas no Vaticano em seu discurso anual sobre temas de interesse da Igreja Católica Enquanto os EUA continuam a reforçar sua presença militar no Golfo Pérsico, João Paulo pediu aos dirigentes políticos que empreendam ações para evitar a guerra, dizendo que o conflito só prejudicará os iraquianos - "já muito afetados" por 12 anos de sanções impostas pelas Nações Unidas."A guerra nunca é uma forma de resolver as divergências entre as nações", disse o pontífice. "Como nos lembram a Carta da ONU e a lei internacional, a guerra não pode ser decidida, mesmo quando se trata de preservar o bem comum, senão como último recurso e sob estritas condições, sem se ignorar as conseqüências para a população civil tanto durante como depois das operações militares", disse. Esta foi a mais firme mensagem do papa contra a guerra, assim como foi a primeira vez que o chefe da Igreja Católica mencionou o Iraque pelo nome desde o início da crise. Anteriormente, em sua mensagem de Natal, o papa somente se havia referido às ameaças da guerra e convocado o mundo a "extinguir os rescaldos fumegantes de um conflito". Outros funcionários do Vaticano foram mais explícitos ao assinalarem em recentes entrevistas que uma "guerra preventiva" contra Bagdá não teria justificativa moral nem legal e somente criaria antagonismo entre cristãos e muçulmanos.O papa João Paulo II referiu-se também "aos conflitos que afetam a América Latina, em especial Argentina, Venezuela e Colômbia".Em 1978, o pontífice interveio no conflito pelo canal de Beagle, entre Argentina e Chile - o qual foi mediado por muito tempo por seu delegado pessoal, o cardeal Antonio Samoré.O trabalho paciente do cardeal culminou num acordo bilateral que evitou uma guerra entre os dois países sul-americanos, na época governados por ditaduras militares.

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