Papa reúne mais de cem cardeais em reunião que debaterá abusos sexuais

Raro encontro no Vaticano é visto como chance de religiosos identificarem sucessor de Bento XVI

BBC

19 de novembro de 2010 | 09h51

Bento XVI realizará reunião rara com cardeais.

CIDADE DO VATICANO - O papa Bento XVI preside nesta sexta-feira, 19, no Vaticano, uma rara reunião com mais de cem cardeais de várias partes do mundo. O encontro deverá discutir questões como a reação da Igreja Católica a denúcias de abuso sexual cometidos por padres, além da preocupação com a perseguição a cristãos em alguns países.

Eles também discutirão a decisão de convidar bispos e padres anglicanos a se juntar à Igreja Católica. As discussões serão seguidas pela nomeação de 24 novos integrantes do Colégio de Cardeais. Cardeais são raramente convocados a comparecer ao Vaticano em números tão altos.

Os 179 cardeais costumam se reunir quando da realização de conclaves - o encontro que se segue à morte ou abdicação de um papa, para eleger seu sucessor. O papa, porém, vem tentando criar mais oportunidades para que cardeais se reúnam com mais frequência, para discutir assuntos considerados importantes.

O encontro - o terceiro consistório do pontificado de Bento XVI - começou nesta sexta-feira e foi descrito por analistas como um "pré-conclave", que daria aos cardeais a possibilidade de identificar potenciais sucessores do pontífice. O porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, disse que não deverão ser emitidos comunicados após o encontro desta sexta-feira. A reunião deverá durar três dias.

Os cardeais deverão debater a resposta da Igreja aos escândalos de abuso sexual, debate motivado em parte pelas críticas de que a instituição não fez o suficiente para indenizar vítimas ou tratar das raízes do problema.

A liberdade religiosa de cristãos também será debatida, em parte devido ao aumento de ataques a comunidades cristãs no Iraque e a um imbróglio com a China, que girou em torno da nomeação de bispos sem aprovação papal.

O Vaticano e a China romperam suas relações diplomáticas nos anos 1950, quando Pequim expulsou membros estrangeiros do clero. Mas a relação entre os dois Estados vem melhorando nos últimos anos.

A decisão do Papa de receber membros dissidentes da Igreja Anglicana - incluindo aqueles que são casados - também serão discutidas pelos cardeais.

Bento XVI criou um enclave especial na Igreja Católica para anglicanos descontentes com questões que vão da decisão anglicana de permitir a nomeação de mulheres e gays como bispos. Cinco bispos anglicanos disseram que se converterão.

 

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