Papa reza missa com ritos indígenas no interior do México

Papa reza missa com ritos indígenas no interior do México

Pontífice argentino volta a pedir perdão pelos abusos da Igreja contra os povos indígenas das Américas

O Estado de S. Paulo

15 de fevereiro de 2016 | 17h46

SAN CRISTÓBAL DE LAS CASAS, MÉXICO -  O papa Francisco celebrou nesta segunda-feira, 15, uma missa em Chiapas, o Estado mais pobre do México, e voltou a pedir perdão pelos abusos da Igreja contra os povos indígenas das Américas. Recebido por fiéis que fizeram fila para esperá-lo, o pontífice testemunhou a mescla de ritos indígenas e católicos. Povos tzeltales e tzotziles, que habitam a região, agradeceram a Francisco por ter escolhido Chiapas como o destino de sua viagem. 

“Mesmo que muitas pessoas nos desprezam, o senhor quis nos visitar e lembrou de nós, como fez a Virgem de Guadalupe e San Juan Dieguito”, disseram os representantes indígenas em mensagem na celebração.

Na homilia, Francisco criticou a exclusão histórica dos povos indígenas no país. A missa foi celebrada em espanhol e em três línguas indígenas. O papa foi chamado de “tatik” - palavra tzotzil que significa padre. 

O primeiro papa latino-americano da História já havia pedido desculpas pelos crimes cometidos pela Igreja Católica contra os indígenas do continente na era colonial. Na cerimônia de ontem, o pontífice celebrou a cultura mexicana de uma forma que a hierarquia da Igreja local sempre tentou minimizar, em uma clara demonstração de suas crenças de que a população indígena tem um importante papel hoje no México.

Há muito tempo a hierarquia mexicana tem atritos com a “Igreja indígena”, uma mistura de Catolicismo e cultura indígena que inclui ramos de pinheiros, ovos e referências a “Deus o Pai e a Mãe”. A tradição foi abraçada pelo bispo de San Cristóbal de las Casas Samuel Ruiz.

O papa ainda visitará nesta viagem ao México os Estados de Michoacán e Chiuaua, afetados pelos cartéis de tráfico de drogas. /AP

Tudo o que sabemos sobre:
Papa FranciscoMéxicoChiapas

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.