Papa se decepciona com ordenação de bispo na China

O papa Bento XVI acolheu com "profunda dor" a notícia da ordenação, na China, como bispo, do sacerdote Giovanni Wang Renlei, que "foi feita sem respeitar a disciplina da Igreja Católica".O pontífice expressou sua "dor" por meio de um comunicado divulgado pelo Escritório de Imprensa do Vaticano, no qual se acrescenta que essa ordenação episcopal "ilegítima" é uma mais das que "atormentam a Igreja Católica na China há algumas dezenas de anos".Wang Renlei foi ordenado bispo em Xuzhou, na província de Jiangsu (China continental), na quinta-feira, e sua designação é mais um capítulo dentro das tensas relações existentes entre o país e o Vaticano."Esta série de atos extremamente graves, que ofendem os sentimentos religiosos de todos os católicos da China e do resto do mundo, é fruto e conseqüência de uma visão da Igreja que não corresponde à doutrina católica, e subverte os princípios fundamentais de sua estrutura hierárquica", acrescenta a nota.No comunicado, o Vaticano diz ter feito tudo o que era possível para evitar a ordenação, e lembrou que o ato é considerado grave dentro do direito canônico, e pode acarretar sanções tanto para os que ordenam como para quem é ordenado."A Santa Sé está consciente do drama espiritual e o sofrimento dos eclesiásticos, obrigados a serem parte ativa das ordenações episcopais ilegítimas, transgredindo a tradição católica", afirmou.Também assinala que "é um consolo constatar que, apesar das dificuldades passadas e presentes, a quase totalidade dos bispos, sacerdotes, religiosos e laicos na China, conscientes de serem membros da Igreja universal, mantiveram uma profunda comunhão de fé e vida com o Papa e com a comunidade católica".Segundo a assessoria de imprensa do Vaticano, "a Santa Sé deplora o modo de proceder na ordenação do sacerdote Wang Renley, e pede que incidentes deste tipo não se repitam no futuro".O Vaticano e a China romperam relações em 1957, depois que o Papa Pio XII excomungou dois bispos ordenados pelo Governo chinês. A situação piorou ainda mias no ano seguinte, quando Mao Tsé-Tung criou a Igreja Patriótica, subordinada ao controle do Estado.

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