Papa se reúne com Aziz e reitera oposição à guerra

O papa João Paulo II recebeu nesta sexta-feira o vice-primeiro-ministro iraquiano, Tarek Aziz, e a Santa Sé reiterou sua oposição à guerra, mas pediu que o Iraque demonstre "concretamente" seu compromisso com o desarmamento. Aziz passou cerca de meia hora com o pontífice e, em seguida, reuniu-se com o secretário de Estado e com o encarregado de Relações Exteriores da Santa Sé.Em um comunicado breve, o Vaticano disse que as reuniões permitiram o intercâmbio de pontos de vista "sobre o bem sabido perigo de uma intervenção armada no Iraque, que poderia trazer mais graves sofrimentos à população que já foi submetida a muitos anos de embargo". A declaração indicou que Aziz expressou a disponibilidade de seu governo em cooperar com os inspetores de armamentos da ONU. O Vaticano repetiu "a necessidade de respeitar fielmente, com compromissos concretos, as resoluções do Conselho de Segurança da ONU, que é o garante da legalidade internacional". O comunicado, divulgado pelo porta-voz papal Joaquín Navarro-Valls, concluiu indicando que a Igreja Católica continuará a trabalhar pela paz e a coexistência entre os povos. Em cenas breves gravadas em vídeo, o pontífice aperta firmemente a mão de Aziz e lhe diz: "Deus o proteja. Deus proteja o Iraque".Aziz, um cristão caldeu - o único no gaxbinete iraquiano - , chegou ao Vaticano horas antes de os inspetores de armas da ONU informarem ao Conselho de Segurança sobre a cooperação iraquiana para o desarmamento. Aziz dise na quinta-feira que o Iraque está cooperando totalmente e que os EUA desejam impedir o trabalho dos inspetores para terem um pretexto para lançar a guerra e obter o "domínio" sobre as reservas petrolíferas do Oriente Médio e do Iraque. João Paulo II e altos funcionários do Vaticano denunciaram, em várias ocasiões, o risco de uma guerra para resolver a crise iraquiana, e insistem em que uma guerra preventiva não tem justificativa legal ou moral, além de expressarem temores de que o conflito acenderia o rancor muçulmano contra os cristãos. O pontífice também disse que uma nova guerra contra o Iraque seria "uma derrota para a humanidade". Por sua vez, o vice-premier iraquiano, em entrevista divulgada hoje pelo jornal espanhol ABC, opinou que os EUA estão decididos a iniciar uma guerra, queixou-se do escasso apoio do mundo árabe a Bagdá e afirmou que a Europa não está dividida, porque sua população se opõe "redonda e majoritariamente" a um ataque americano. Para Aziz, "só um milagre" poderá evitar o conflito no Golfo Pérsico. Na entrevista, Aziz disse que o atual presidente americano, George W. Bush, "representa um bando de criminosos e líderes da indústria armamentista" e que seu governo "não representa o povo americano".

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