Papa teme que globalização seja uma nova colonização

O papa João Paulo II manifestou hoje preocupação de que a globalização se converta em uma nova forma de colonização em detrimento das culturas locais. "O mercado impõe seu modo de pensar e atuar e imprime sua escala de valores no comportamento (das pessoas)", disse o papa, em discurso num seminário da Academia Pontifícia de Ciência Sociais."Acontece que as mudanças na tecnologia e nas relações de trabalho acontecem de modo excessivamente rápido para que as culturas tenham tempo de reagir", disse o pontífice, acrescentando que são vitais "as salvaguardas sociais, legais e culturais". Mas "a globalização freqüentemente arrisca destruir essas estruturas cuidadosamente construídas, impondo a adoção de novos estilos de trabalho, de vida e de organização comunitária", alertou. "A globalização não deve ser uma forma de colonização". Na última década de seu papado - que começou em 1978 -, João Paulo tentou chamar a atenção sobre os efeitos do consumismo e, mais recentemente, da globalização. Em seu discurso de hoje, como vem ocorrendo com freqüência nos últimos meses, o papa destacou os rápidos progressos da biomedicina como um terreno que requer controles sociais. Depois de considerar que a globalização em si não é boa nem má, Sua Santidade disse aos participantes do seminário que "a humanidade não pode mais prescindir de um código de ética comum".

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