Papa visita mesquita e pede paz

O papa João Paulo II tornou-se hoje o primeiro pontífice na história do catolicismo a visitar uma mesquita. Durante a viagem à Síria, ele pediu ainda que cristãos e muçulmanos se perdoem em favor da paz. "A convicção religiosa nunca foi uma justificativa para violência", disse o papa dentro da mesquita Omeyas, uma das mais veneradas pela população islâmica.Em respeito à tradição muçulmana, o papa tirou os sapatos para andar pela mesquita. Ele caminhou ao lado do principal religioso sírio, xeque Ahmad Kuftaro. A mesquita foi erguida em um terreno onde houve uma igreja durante 12 séculos. Dentro dela está enterrada a cabeça de São João Batista e do lado de fora está a tumba do Saladino, que comandou os exércitos muçulmanos contra os cristãos durante as Cruzadas. "Conflitos entre comunidades nunca mais", pediu o papa.A oração conjunta entre cristãos e muçulmanos, que havia sido planejada para ocorrer dentro da mesquita, foi cancelada temendo que pudesse ser interpretada como desrespeito à religião local.Apesar disso, muitos muçulmanos aprovaram a visita do papa, que recebeu uma recepção calorosa nas ruas de Damasco. A multidão, formada principalmente por jovens, acompanhou o papa-móvel. Muitos gritavam "papa, nós amamos você" e cantavam "Aleluia". "Espero que esta visita contribua para a tolerância entre o Islã e a cristãos e fortaleça ambos contra os judeus que estão ocupando nossas terras", disse Rouslan Hab el-Rouman, dono de uma tenda de artigos religiosos em Damasco.Na sua visita ao Oriente Médio, João Paulo II refaz os passos do apóstolo Paulo, que se converteu ao cristianismo na estrada para Damasco e depois pregou em Atenas e Malta. Na sexta-feira, o papa estava na Grécia, onde pediu o perdão de Deus pelos erros cometidos pelos católicos contra a fé ortodoxa nos últimos mil anos.Há atualmente na Síria 2,4 milhões de cristãos, que reprimiram sua fé por séculos num país dominado por 17 milhões de muçulmanos.

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