José Méndez/EFE
José Méndez/EFE

Papa visita subúrbio da Cidade do México atingido por pobreza e criminalidade

O pontífice celebrou uma missa ao ar livre para 300 mil pessoas e cerca de 1,3 milhão foram às ruas de Ecatepec, onde cerca de 74% dos habitantes vivem na pobreza

Associated Press

14 de fevereiro de 2016 | 20h06

O papa Francisco falou sobre os problemas sociais que têm afetado os pobres do México durante visita a um subúrbio operário da capital, Cidade do México, atingida pela desigualdade e escalada do crime, alertando contra os problemas espirituais da riqueza, quando alcançada por meios ilícitos.

"Nós sabemos o que significa ser seduzido pelo dinheiro, fama e poder", disse Francisco durante missa na manhã deste domingo - parte de uma viagem de cinco dias pelo país, com o intuito de se aproximar dos pobres.

"Conseguir o pão com base no esforço alheio, até mesmo às custas de suas vidas, traz uma riqueza com sabor de dor, amargura e sofrimento", completou o pontífice.

Cerca de 1,3 milhão de pessoas foram às ruas de Ecatepec, onde cerca de 74% dos 1,65 milhão de habitantes vivem na pobreza. Os moradores da região suportam serviços públicos de péssima qualidade e crimes violentos, de acordo com especialistas.

A multidão recebeu o papa com saudações, agitando bandeiras do México e do Vaticano. Outros cantaram músicas populares mexicanas e saudaram o papa em clima festivo.

O papa celebrou uma missa ao ar livre para 300 mil pessoas. As favelas da região foram duramente atingidas pelo crime, com 26 assassinatos por 100 mil habitantes, a taxa de homicídio de Ecatepec foi o dobro da média nacional no ano passado, de acordo com estatísticas do governo.

As mulheres são particularmente vulneráveis. Em 2014, 56 mulheres foram assassinadas na região, de acordo com os últimos dados oficiais, um aumento de 144%, na comparação com 2007, quando o governo federal declarou guerra contra as gangues do narcotráfico. A guerra sangrenta entre as gangues, bem como com as forças de segurança, matou mais de 130 mil pessoas na última década, e cerca de 28 mil pessoas estão desaparecidas.

Em Ecatepec, aproximadamente 400 mulheres estão desaparecidas, a maioria adolescentes.

"Estamos vivendo uma crise de direitos humanos de maiores proporções em Ecatepec, que está afetando particularmente mulheres", disse María de la Luz Estrada, chefe da organização sem fins lucrativos Observatório do Cidadão sobre o Femicídio.

Ontem, o papa fez declarações fortes à elite política e à hierarquia da Igreja Católica do México, em seu primeiro dia de visita ao país, dizendo que elas têm a obrigação de dar segurança, justiça e um cuidado pastoral corajoso ao povo e de confrontar a violência e a corrupção vinculados ao narcotráfico.

Francisco ainda agendou uma visita a um hospital infantil para este domingo, na Cidade do México. Ele ainda pretende visitar regiões do país que sofreram nos últimos anos, como os Estados de Chiapas e Michoacán, afetados pela violência do narcotráfico, e a cidade de Juárez, no norte do país, onde imigrantes tentam atravessar a fronteira com os Estados Unidos. 

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