Papa visita vítimas de sismo e cobra autoridades

Bento XVI exige investigação sobre prédios novos que desabaram

AP e Reuters, ROMA, O Estadao de S.Paulo

29 de abril de 2009 | 00h00

Entre os escombros de Abruzzo, região central da Itália devastada pelo terremoto do dia 6, o papa Bento XVI consolou ontem sobreviventes da tragédia e exortou autoridades a ter "responsabilidade" e a fazer um "sério exame de consciência" sobre os prédios modernos que desabaram com o tremor, matando dezenas. Foi a primeira visita do pontífice à área devastada desde a catástrofe, que deixou 296 mortos e cerca de 63 mil desabrigados, segundo autoridades.O Judiciário italiano abriu investigação sobre os motivos que levaram construções recentes ao colapso. Até mesmo o moderno hospital de Áquila foi parcialmente danificado pelo tremor, que atingiu 6,3 graus na escala Richter. Leis italianas exigem duras medidas para reduzir o impacto de sismos e há suspeitas de que as normas não tenham sido respeitadas nos prédios destruídos. Especula-se ainda que o aço e o cimento usados nas construções seriam de baixa qualidade."Deve haver um sério exame de consciência para que o grau de responsabilidade não diminua em nenhum momento", afirmou o pontífice, sob aplausos dos fiéis que o escutavam. Bento XVI completou que a região precisa agora de novos prédios e igrejas "maravilhosos e sólidos".Alguns sobreviventes choravam de emoção enquanto o líder católico cumprimentava a multidão.Bento XVI visitou as ruínas de uma basílica destruída pelo sismo e rezou diante de um dormitório universitário onde morreram soterrados oito estudantes. Em uma tenda improvisada que abriga sobreviventes e relíquias destruídas, o papa recitou uma prece. "É o choro silencioso do sangue de mães, pais e crianças inocentes que se levanta aos céus", disse emocionado.?A ÁGUIA VOLTARÁ A VOAR?"É difícil rezar em uma tenda, mas nós fazemos isso com muito amor", declarou após a cerimônia Giovanni Paoletti, que perdeu parte da família na tragédia do início do mês. Em um trocadilho com o nome da capital da região de Abruzzo - Áquila, que significa "águia" em italiano -, o papa declarou que, "embora esteja ferida, Áquila voltará a voar".Bento XVI iniciou sua passagem de três horas pela região em Onna, vilarejo que teve 40 de seus 300 habitantes mortos na tragédia. Por causa das más condições climáticas, o líder católico não foi transportado de helicóptero, como previsto, e teve de ser levado de carro às áreas atingidas do leste de Roma - o destino final de sua passagem. "Devo confessar que estava inseguro sobre a vinda do papa", disse o morador Vicenzo Pezzopane. "Mas, no final, fiquei muito comovido."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.