Papa volta a condenar clonagem de seres humanos

O papa João Paulo II condenou hoje, de maneira enfática, a clonagem de seres humanos. Para o líder da Igreja Católica, as experiências com embriões, como as que foram anunciadas domingo por cientistas americanos, constituem uma ameaça à vida. A condenação do pontífice foi feita durante sua audiência semanal no Vaticano. "O verdadeiro humanismo nunca deve permitir métodos e experiências que constituam uma ameaça à vida". Dirigindo-se especificamente a um grupo de médicos presente à audiência, João Paulo II conclamou-os a "defender a vida acima de tudo, assim como a dignidade do ser humano e a trabalhar respeitando as leis morais". Foi a primeira vez que o papa falou pessoalmente sobre o assunto, desde o anúncio feito pelos cientistas da empresa Advanced Cell Technology (ACT) de que haviam clonado um embrião humano. Antes dele, vários outros líderes religiosos e políticos entre os quais o presidente americano George Bush, já haviam se manifestado contra a clonagem. A afirmação, feita pela ACT, de que as experiências não se destinam à clonagem de seres humanos, mas sim ao tratamento de doenças, como o mal de Parkinson e a diabetes, não é considerada uma atenuante. Na segunda-feira, ao comentar o anúncio da ACT, um porta-voz do Vaticano já havia dito que os cientistas estavam manipulando erroneamente a vida humana. De acordo com um documento da Pontifícia Comissão para a Vida, os embriões clonados jã são vidas humanas iniciais, com os direitos fundamentais de todo ser humano adulto - e não podem ser sacrificados na busca das células-tronco. Na Itália, que figura entre os países mais católicos do mundo, um grupo de legisladores começou a se mobilizar para conseguir uma total proibição da clonagem humana.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.