EFE/ANDRE PAIN
EFE/ANDRE PAIN

Papiros encontrados em escavação narram cotidiano dos operários que ergueram a Pirâmide de Quéops

Documentos são diários de bordo do inspetor que liderava uma equipe de trabalhadores que transferia pedras para fazer a construção; um dos relatos descreve quantidade de comida dada aos funcionários

O Estado de S.Paulo

21 Julho 2016 | 15h31

CAIRO - A vida dos trabalhadores que há mais de 4.500 anos construíram a Grande Pirâmide de Quéops ficou gravada em centenas de papiros, sendo que três deles foram expostos pela primeira vez no Museu Egípcio do Cairo.

Os materiais encontrados no porto de Wadi al Gurf, um dos mais importantes do Antigo Egito e situado no Golfo de Suez, foram descobertos durante a escavação de uma equipe franco-egípcia em 2013.

Neles estão os diários de bordo do inspetor Merer, que foi responsável por uma equipe de trabalhadores que transferia pedras para construir a instalação, desde a margem oriental do Nilo ao local onde está localizada a Grande Pirâmide de Quéops em Gizé, ao sul do Cairo. Além disso, os papiros relatam a quantidade de comida que os trabalhadores recebiam na pirâmide.

"São uns dos papiros mais importantes, que foram guardados em uma caixa desde que foram descobertos pela situação política no país, mas agora é preciso expô-los na primeira fila do museu", disse em pronunciamento à imprensa o ministro de Antiguidades, Khaled al Anani.

O catedrático de Antiguidades da Universidade de Asiut e codiretor da missão de escavações que descobriu os papiros, Sayed Mahfuz, disse que em Wadi al Gurf foram encontradas mil peças de papiros, mas que elas ainda necessitam de mais tempo para juntá-las e restaurá-las.

Mahfuz detalhou que os papiros revelam o sistema administrativo do Egito na época do reino de Quéops (em torno do ano 2.550 a.C.). "Podemos ver projetos gigantes do Antigo Egito, mas sem evidências escritas não sabemos os detalhes da construção da pirâmide, portanto os papiros revelam sobre o estilo da administração", acrescentou.

Além disso, Mahfuz indicou que parece que a equipe de Merer participava de outros projetos do país, entre eles o porto de Wadi al Gurf.

O diretor do Instituto Francês de Arqueologia Oriental, Laurent Bavay, disse que a missão que descobriu os papiros é dirigida pelo arqueólogo francês Pierre Tallet.

Segundo Bavay, a exposição no Museu Egípcio durará um mês e depois os papiros serão alvo de uma restauração complementar, já que foram encontrados muito recentemente. "Uma vez que sejam restaurados completamente, serão expostos de forma definitiva em um dos museus egípcios, pode ser que no Grande Museu Egípcio, que está em construção e se encontra precisamente aos pés das pirâmides de Quéops", comentou.

Além disso, Bavay destacou que trata-se "dos papiros escritos mais antigos descobertos no Egito" e que por isso são "excepcionais".

Em 2013, uma equipe de arqueólogos da universidade francesa de Sorbonne e da egípcia Asiut descobriu no Egito o porto histórico de Wadi al Gurf, no litoral do Mar Vermelho, com os papiros mais antigos encontrados até o momento. Esses papiros foram transferidos ao Museu da cidade de Suez (leste) para que fossem estudados.

O porto, que é da época do faraó Quéops - o segundo rei da 4ª dinastia que reinou há mais de 4,5 mil anos -, conta com um píer ao qual chegavam embarcações com bronze e metais procedentes da Península do Sinai. / EFE

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