Papua acusa Indonésia de tortura e genocídio

Um grupo de papuanos localizados na quarta-feira pelos serviços de vigilância australiana em um barco perto da costa de Cape York, no nordeste da Austrália, acusou nesta quinta-feira a Indonésia de cometer genocídio na província de Papua Ocidental (antiga Irian Jaya). O grupo formado por 30 homens, seis mulheres e sete crianças, fez a denúncia em cartazes pendurados no barco pesqueiro indonésio em que viajavam para a Austrália."Salvem a alma de Papua Ocidental do genocídio, da intimidação, dos terroristas e do governo militar da Indonésia", assinalava um cartaz. Outra dizia: "Em Papua Ocidental precisamos de liberdade, paz, amor e Justiça." O governo australiano anunciou que os papuanos estão hospedados em um abrigo para imigrantes e que seus casos serão analisados rapidamente. Pamela Curr, do Centro de Recursos para Solicitantes de Asilo disse que não ter dúvida de que os refugiados são filhos de líderes da comunidade que foram perseguidos, presos ou estão desaparecidos.Os serviços de vigilância costeira australiana localizaram na quarta-feira os jovens indonésios após o alerta dado pela Associação Australiana de Papua Ocidental, dizendo que a embarcação com os refugiados saiu na sexta-feira passada em direção à Austrália, em uma travessia que dura normalmente de 15 a 16 horas.Conflito político - Papua vive um conflito político desde que em primeiro de dezembro de 1961 proclamou sua independência da Holanda, país que transferiu à ONU a administração do território.Dois anos depois, a Indonésia assumiu a administração e em 1969 convocou um plebiscito entre os chefes tribais para propor a anexação.Várias organizações de direitos humanos denunciaram a irregularidade do plebiscito, com o argumento de que a votação ocorreu em um ambiente de intimidação e fraude. Em agosto passado, políticos e acadêmicos da universidade de Sydney apontaram abusos sistemáticos cometidos pelos militares indonésios contra a população de Papua OcidentalAs acusações constam em um relatório produzido pelo Centro de Estudos da Paz e dos Conflitos intitulado "Genocídio em Papua Ocidental; o papel do aparelho de segurança indonésio". O estudo, resultado de uma pesquisa de quatro anos finalizada em 2005, inclui descrições detalhadas de testemunhas sobre o envolvimento de militares em atos de tortura e violação de direitos humanos na província indonésia de Papua Ocidental.

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