Paquistanês é condenado à prisão perpétua por blasfêmia

Um tribunal do Paquistão, país de maioria muçulmana, condenou à prisão perpétua um homem acusado de blasfêmia, após ele admitir que era discípulo de um autoproclamado profeta, disse nesta sexta-feira um funcionário da Justiça. Os muçulamnos acreditam que Maomé seja o último e maior profeta. Mohammed Ahsanullah, de 30 anos, por sua vez, acreditava que o último profeta era Mohammed Sardar, que se autoproclamou sucessor de Maomé há dois anos. Sardar também foi preso e acusado de blasfêmia, mas morreu enquanto estava sob a guarda da polícia. Ahsanullah foi declarado culpado nesta semana por um tribunal de Faisalabad, 280 km a nordeste de Multan. O réu recebeu duas condenações à prisão perpétua. A máxima pena por delito de blasfêmia é a morte. As leis de blasfêmia do Paquistão foram criticadas por grupos de defesa dos direitos humanos, que denunciaram que em muitos casos elas são usadas para resolver disputas sobre terras ou discórdias tribais. Nas prisões paquistanesas há centenas de pessoas acusadas de terem violado as leis de blasfêmia. A maioria pertence à seita dos ahmeditas, que se proclama muçulmana, embora seja considerada herética pelos islâmicos tradicionais. Os ahmeditas acreditam que Deus tenha retornado à terra há mais de 100 anos, com o nome de Ahmed.

Agencia Estado,

20 Dezembro 2002 | 19h19

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