Paquistanês oferece recompensa pela cabeça de produtor de filme anti-Islã

Um ministro paquistanês ofereceu 100 mil dólares no sábado para qualquer um que matar a pessoa que fez o vídeo online que insulta o Islã, enquanto protestos esporádicos ecoavam por todo o mundo muçulmano.

JIBRAN AHMAD, Reuters

22 de setembro de 2012 | 18h09

"Eu anuncio hoje que vou recompensar com 100 mil dólares qualquer um que matar este blasfemo, este pecador, que disse bobagens sobre o profeta sagrado", disse o ministro das Ferrovias, Ghulam Ahmad Bilour, sob aplausos, em uma entrevista coletiva.

"Convido os irmãos Talibans e os irmãos da al-Qaeda a se juntarem a mim, nessa missão abençoada."

Um porta-voz do primeiro-ministro do Paquistão disse que o governo não tinha ligação com a declaração do ministro.

Enquanto muitos países muçulmanos tiveram em sua maioria, protestos pacíficos, na sexta-feira, 15 pessoas foram mortas no Paquistão, durante as manifestações sobre o vídeo.

As pessoas envolvidas com o filme, um clipe amador, de 13 minutos, que foi postado no YouTube, disseram que ele foi feito por um homem da Califórnia, de 55 anos, Nakoula Basseley Nakoula.

Nakoula não voltou para a sua casa em Cerritos, subúrbio de Los Angeles, desde que saiu voluntariamente para ser entrevistado pelas autoridades federais. Desde então sua família está escondida.

Em Dhaka, capital de Bangladesh, no sábado, milhares de ativistas islâmicos entraram em confronto com a polícia, que usou cassetetes e gás lacrimogêneo para conter um protesto não autorizado.

Em Kano, maior cidade no norte da Nigéria, muçulmanos xiitas queimaram bandeiras americanas, mas seu protesto transcorreu pacificamente.

As manifestações foram menos espalhadas do que na sexta-feira, mas mostraram que a raiva ainda existia ao redor do mundo contra o filme e outros insultos contra o Islã, no Ocidente, inclusive cartuns publicados por uma revista satírica francesa.

Mostrando que os governos ocidentais seguem preocupados com a situação, o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Guido Westerwelle, pediu aos países muçulmaos que protejam as embaixadas estrangeiras.

No Egito, o líder do principal partido ultra-ortodoxo islâmico, que divide o poder com a mais moderada Irmandade Muçulmana disse que o filme e os quadrinhos franceses faziam parte de um aumento de ações anti-islâmicas desde as revoltas da Primavera Árabe.

"Uma nova realidade surgiu no Oriente Médio após a queda do regime autocrático de Hosni Mubarak e outras através de eleições democráticas, que trouxeram governos islâmicos recém-eleitos", disse o líder do partido salafista Nour, Emad Abdel Ghaffour, à Reuters.

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