Paquistanês zomba de recompensa oferecida pelos EUA

Um dos mais notórios extremistas paquistaneses zombou dos Estados Unidos nesta quarta-feira durante uma coletiva de imprensa. Na terça-feira, os Estados Unidos ofereceram uma recompensa de US$ 10 milhões por Hafiz Mohammad Saeed, de 61 anos, fundador do grupo militante Lashkar-e-Taiba.

AE, Agência Estado

04 de abril de 2012 | 12h29

Ele é acusado de planejar os ataques de 2008 na cidade de Mumbai, que mataram 166 pessoas, dentre elas seis norte-americanos. Saeed opera abertamente no Paquistão, fazendo discursos públicos e aparecendo em programas de televisão.

"Eu estou aqui, estou visível. Os Estados Unidos deveriam dar a recompensa para mim", disse ele aos jornalistas nesta quarta-feira, zombando do fato de Washington ter oferecido uma recompensa por um homem cuja localização não é mistério. "Eu estarei em Lahore amanhã. Os Estados Unidos podem entrar em contato comigo quando quiserem."

Analistas disseram que o Paquistão não deve deter Saeed por causa de suas supostas ligações com a agência de inteligência do país e por causa do perigo político de fazer o jogo de Washington, num país onde o sentimento antiamericano cresce cada vez mais.

Nos últimos meses, Saeed tem usado seu status para liderar um movimento de protesto contra os ataques norte-americanos, realizados com aviões teleguiados, e contra a retomada do uso de rotas paquistanesas para o abastecimento de tropas da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no Afeganistão. Islamabad fechou suas fronteiras para o transporte de suprimentos em novembro, em retaliação aos ataques norte-americanos que acidentalmente mataram 24 soldados paquistaneses.

Horas antes das declarações de Saeed, o vice-secretário de Estado norte-americano Thomas Nides reuniu-se com o a ministra de Relações Exteriores paquistanesa, Hina Rabbani Khar, em Islamabad, para conversações sobre as relações entre os dois países. Em breve comunicado, Nides não fez menção à recompensa, mas reafirmou o compromisso dos Estados Unidos em "trabalhar" os desafios que prejudicam os laços entre as duas nações.

Num hotel, localizado perto da principal base militar do Paquistão e a apenas meia hora de carro da embaixada norte-americana em Islamabad, Saeed tinha a seu lado mais de dez políticos de direita e islamitas radicais, que compõem a liderança do conselho Difa-e-Pakistan, ou Defesa do Paquistão. As informações são da Associated Press.

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