Paquistaneses protestam contra apoio aos EUA

Cerca de 15 mil pessoas, segundo a polícia, reuniram-se, nesta sexta-feira, em Peshawar, capital da Província da Fronteira do Noroeste, para manifestar apoio ao regime afegão do Taleban e a Osama bin Laden e repudiar as ameaças dos Estados Unidos e a posição tomada pelo governo paquistanês.Em outras cidades paquistanesas ocorreram manifestações menores e o comércio atendeu parcialmente à convocação dos fundamentalistas de uma greve de protesto. "(Pervez) Musharraf vai ficar sozinho", disse um dos oradores, referindo-se à decisão do presidente paquistanês de alinhar-se com os Estados Unidos, oferecendo o espaço aéreo, apoio logístico e de inteligência para uma eventual operação militar contra o Afeganistão. "Todos estamos com o Taleban e lutaremos contra eles", continuou o líder religioso, falando em pashto, a língua do grupo étnico patan, que é maioria na província e também no Afeganistão."Este é um recado para Osama, para o mulá (Mohammad) Omar (chefe supremo do Taleban) e para o Taleban: somos todos paquistaneses, e estamos com vocês."Outro orador ocupou a tribuna improvisada, um caixote de madeira e um alto-falante: "A América está fazendo terrorismo, e vamos combatê-lo."O orador seguinte lembrou a vitoriosa campanha dos anos 80 para expulsar os soviéticos, na qual se forjaram os mujaheddin, os "combatentes pela liberdade" afegãos: "Quando a Rússia tomou o Afeganistão, os povos de todo o mundo muçulmano ajudaram os afegãos. A situação é a mesma agora, com a América, e exige que façamos a mesma coisa." Em Karachi, centro financeiro do país, uma pessoa morreu quando policiais foram atacados a tiros e reagiram. Uma outra pessoa, que tentava bloquear uma estrada no distrito industrial de Mauripur, foi morta pela polícia. E uma terceira, um comerciante que se recusava a fechar sua loja, foi assassinado a pancadas por manifestantes. As vítimas não foram identificadas. Praticamente não houve manifestações, mas a maior parte do comércio estava fechada. Para os paquistaneses, no entanto, fechar o comércio na sexta-feira não é uma atitude estranha. Até três anos atrás, o dia de descanso do país era sexta-feira, como nas outras nações muçulmanas. Quem introduziu o descanso no domingo foi o então primeiro-ministro Nawaz Sharif, derrubado em 1999 pelo general Musharraf. Na capital, Islamabad, centenas de pessoas convergiram para a mesquita de Lal e caminharam pelo centro da cidade. O chefe do Conselho de Defesa Afegão, Maulana Samil-ul-Haq, falou à pequena multidão e condenou a posição do governo paquistanês, dizendo que, o uso do solo e do espaço aéreo do país para ataques americanos será uma traição ao Islã.

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