Paquistaneses protestam contra EUA após declaração desafiadora

Protestos anti-Estados Unidos por partidos religiosos tomaram conta de várias cidades do Paquistão nesta sexta-feira, um dia depois que líderes políticos se reuniram para rejeitar as acusações norte-americanas de que Islamabad apoiava militantes.

CHRIS ALLBRITTON, REUTERS

30 Setembro 2011 | 17h22

Acusações de um general dos EUA de que a agência de espionagem paquistanesa havia apoiado o ataque deste mês a uma missão dos EUA em Cabul reforçou o sentimento anti-norte-americano em um país onde pesquisa em junho mostrou que cerca de dois terços da população consideram os Estados Unidos como inimigos.

"A visão prevalecente no Paquistão é de que, por causa do nosso alinhamento com os Estados Unidos, nossos problemas aumentaram," afirmou Talat Masood, general aposentado e analista militar. "A visão da América é a oposta: 'Porque vocês não estão se alinhando conosco, seus problemas estão aumentando'."

Em Hyderabad, cerca de 900 pessoas de um grupo anti-xiita, cujo braço militante foi acusado de matar milhares de xiitas paquistaneses desde os anos 1990, queimaram uma imagem do presidente Barack Obama e gritaram "A América é a assassina."

Em Lahore, ao menos 800 pessoas protestaram na sede do maior partido religioso do Paquistão, o Jamaat Islami (JI). "Vai América, vai!," bradava a multidão irritada.

Outro protesto do JI em Peshawar, a noroeste de Islamabad, atraiu cerca de 200 pessoas. Eles fizeram um macaco caminhar sobre uma bandeira norte-americana estendida na estrada e gritaram "Cemitério da América - Waziristão, Waziristão," referindo-se às áreas tribais na fronteira com o Afeganistão que é um celeiro de grupos militantes.

Mais conteúdo sobre:
PAQUISTAOPROTESTOSANTIEUA*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.