Paquistaneses realizam protesto contra falta de ajuda

Inconformadas com a lenta distribuição de ajuda, vítimas das enchentes no Paquistão bloquearam hoje uma estrada em protesto. Nesta segunda-feira, mais chuvas fortes destruíram abrigos temporários - e a previsão de novas enchentes eleva a urgência de auxílio internacional.

AE-AP, Agência Estado

16 de agosto de 2010 | 12h43

Centenas de pessoas bloquearam a estrada com pedras e lixo nas proximidades da área de Sukkur. Elas afirmam que são tratadas como animais. Um dos manifestantes, Kalu Mangiani, disse que funcionários do governo só aparecem para entregar comida quando os meios de comunicação estão presentes. "Eles jogam pacotes de comida para nós como se fôssemos cachorros. Eles estão fazendo as pessoas brigarem por esses pacotes."

O ministro de Irrigação da província de Sindh, Jam Saifullah Dharejo, afirmou que Sukkur enfrenta um desafio, já que as águas seguem pelo rio Indo na direção das áreas agrícolas, densamente povoadas. "Os próximos quatro, cinco dias serão cruciais."

As piores enchentes já registradas na história do Paquistão tiveram início mais de duas semanas atrás no montanhoso noroeste do país e se espalharam pelo restante do território. Cerca de 20 milhões de pessoas e 160 mil quilômetros quadrados de terra - cerca de um quinto do país - foram afetados.

A escala do desastre elevou os temores de que o fenômeno climático possa desestabilizar o país, que tem extrema importância nas expectativas dos Estados Unidos de derrotar a Al-Qaeda e o Taleban.

ONU

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, sobrevoou ontem a área atingida pelas águas e disse que nunca havia visto um desastre tão grande. Ele pediu à comunidade internacional que acelere o envio de ajuda. A entidade pediu US$ 460 milhões para o Paquistão, dos quais 60% já foram doados. No fim de semana, as enchentes atingiram a região pobre na fronteira entre as províncias de Sindh e do Baluquistão.

Sher Khan Bazai, o principal funcionário governamental do distrito de Nasirabad, disse que 25 mil famílias perderam suas casas por causa das águas que atingiram 2,5 metros em alguns locais. Cerca de 4 mil pequenas vilas foram destruídas ou levadas pelas águas.

Quando as águas baixarem, outros bilhões de dólares serão necessários para a reconstrução das casas e da infraestrutura e para fazer as pessoas voltarem ao cotidiano normal no Paquistão, país com população de 170 milhões de habitantes. O Fundo Monetário Internacional (FMI) advertiu que as enchentes podem prejudicar o crescimento econômico e provocar aumento da inflação.

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