Paquistaneses rejeitam Bin Laden e Al-Quaeda, diz pesquisa

Estudo também mostra que 70% dos entrevistados querem a renúncia do presidente Pervez Musharraf

Agência Estado e Associated Press,

10 de fevereiro de 2008 | 17h56

A popularidade do líder da organização terrorista Al-Quaeda, Osama Bin Laden, e do Taleban caíram drasticamente no Paquistão em meio a uma sangrenta violência, de acordo com resultados de uma recente pesquisa de opinião. A pesquisa também identificou o partido da líder da oposição assassinada Benazir Bhutto como o favorito para as eleições parlamentares do dia 18 de fevereiro e apontou que muitos paquistaneses querem a renúncia do presidente Pervez Musharraf.   A pesquisa, conduzida no mês passado pela organização norte-americana Terror Free Tomorrow, sugere que os paquistaneses estão se voltando para grupos de oposição pacíficos depois de meses de turbulência política e uma onda de ataques suicidas. No mais recente banho de sangue, um homem-bomba suicida detonou os explosivos durante um comício da oposição na cidade de Charsadda - noroeste do país - no sábado, 9, matando 27 pessoas e ferindo outras 50.   De acordo com o resultado da pesquisa, apenas 24% dos paquistaneses aprovavam Bin Laden quando a pesquisa foi realizada no mês passado, comparado com 46% de aprovação apontada em pesquisa similar feita em agosto. O apoio para a Al-Quaeda, cujos líderes estão escondidos ao longo da fronteira entre o Afeganistão e o Paquistão segundo informações dos serviços de inteligência, caiu pela metade para 19%, de 38% na pesquisa anterior.   O levantamento também revelou uma forte reprovação contra o presidente Musharraf - que tomou o poder em um golpe em 1999 e cuja reputação vem caindo desde que tentou despedir o chefe de justiça do país em março do ano passado - com 70% dos entrevistados considerando que ele deve renunciar imediatamente.   Apenas 1% dos eleitores paquistaneses votariam a favor da Al-Quaeda se a organização concorresse as eleições parlamentares, segundo a pesquisa, acrescentando que o Taleban receberia 3% dos votos. Por outro lado, o moderado e secular Partido do Povo do Paquistão, liderado por Bhutto até sua morte em um ataque suicida ocorrido em 27 de dezembro, tem o apoio de 36,7% do eleitorado.   O partido de outro ex-primeiro-ministro, Nawaz Sharif, aparece em segundo lugar com 25,3% das intenções de voto, empurrando o partido de Musharraf para a terceira posição, com 12% dos votos. A pesquisa revelou ainda que 58% dos entrevistados suspeitam que Musharraf, aliados políticos ou agências do governo foram responsáveis pela morte de Bhutto. Apenas 7% acreditam que a Al-Quaeda ou o Taleban são os responsáveis pelo seu assassinato.   A pesquisa foi baseada em 1.157 entrevistas realizadas no Paquistão entre 19 e 29 de janeiro e tem uma margem de erro de 3 pontos porcentuais para cima ou para baixo.   O Terror Free Tomorrow é um grupo bipartidário que busca reduzir o apoio para o terrorismo internacional. Fazem parte do seu conselho, por exemplo, o provável candidato do Partido Republicano John McCain para a presidência dos EUA e Lee Hamilton, um ex-congressista democrata.

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