Paquistão acusa a Otan por ataque com '25 soldados paquistaneses mortos'

Exército local diz que posto foi alvejado de forma 'não provocada e indiscriminada', o que deve inflamar os laços EUA-Paquistão.

BBC Brasil, BBC

26 de novembro de 2011 | 07h18

Autoridades paquistanesas acusaram a Otan (aliança militar ocidental) de ter perpetrado, na madrugada deste sábado, um ataque aéreo contra um posto de checagem militar próximo à fronteira com o Afeganistão, matando estimados 25 soldados.

O suposto ataque, qualificado de "não provocado e indiscriminado" e que pode inflamar a já tensa relação do Paquistão com o Ocidente, ocorreu na região tribal paquistanesa de Mohmand, disseram militares paquistaneses em um comunicado.

Em resposta, o Paquistão interrompeu a passagem, pela fronteira, de suprimentos e combustíveis destinados à Otan.

A Otan, por sua vez, disse estar ciente de um "incidente" perto da fronteira afegã e que vai investigá-lo.

Se confirmada, a ofensiva tende a azedar ainda mais as relações do Paquistão com os Estados Unidos, já deterioradas desde que Washington realizou uma ação em maio para matar Osama Bin Laden em território paquistanês.

Além disso, há relatos de constantes operações americanas nas áreas tribais paquistanesas para caçar acusados de laços com o Talebã e a Al-Qaeda.

Uma ação do tipo, ocorrida em 2010, realizada por helicópteros americanos, resultou na morte de dois soldados paquistaneses, ofensiva que também foi retaliada com a interrupção do fluxo de suprimentos às tropas dos EUA no Afeganistão.

Estratégia

O Paquistão é de importância estratégica na Guerra do Afeganistão por sua fronteira e laços tribais com o país, bem como por seu envolvimento direto no combate a militantes da Al-Qaeda na região fronteiriça.

O posto de checagem aparentemente alvejado neste sábado foi criado justamente para prevenir que insurgentes cruzem a fronteira paquistanesa rumo ao Afeganistão, explica o correspondente da BBC no Paquistão, Shoaib Hasan.

Ele agrega que os soldados paquistaneses estão furiosos com o incidente, alegando que não havia atividade militar no posto no momento do suposto ataque.

Ao mesmo tempo, porém, autoridades paquistanesas constantemente são acusadas de conivência com o Talebã.

Em resposta, estas criticam as ofensivas americanas em território paquistanês.

Em outubro, o líder militar Ashfaq Kayani advertiu os EUA contra eventuais ações unilaterais na área tribal de Waziristão do Norte, dizendo que Washington deveria focar em estabilizar o Afeganistão em vez de forçar os paquistaneses a atacar grupos militantes na fronteira. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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