Paquistão acusa Al-Qaeda por ataque

Inteligência aponta grupo de Osama bin Laden como responsável por atentado que matou 53 no Hotel Marriott

Reuters, AP e NYT, Islamabad, O Estadao de S.Paulo

22 de setembro de 2008 | 00h00

Serviços de inteligência do Paquistão e dos EUA culparam ontem a rede terrorista Al-Qaeda pelo ataque de sábado ao Hotel Marriott, em Islamabad. Segundo funcionários dos governos paquistanês e americano, a sofisticação do atentado mostra que foi um trabalho do grupo. O ministro do Interior do Paquistão, Rehman Malik, também sugeriu que a investigação aponta para insurgentes da Al-Qaeda e do Taleban baseados na área tribal do noroeste do país, na fronteira com o Afeganistão (mais informações ao lado) - alvo de constantes ataques americanos.De acordo com o Ministério do Interior do Paquistão, o balanço do atentado de sábado contra o Hotel Marriott era ontem de 53 mortos e 266 feridos - dos quais 11 eram estrangeiros, mas grupos de resgate ainda procuravam corpos nos destroços do edifício.ESTRANGEIROSEntre os mortos está o embaixador da República Checa, um vietnamita e dois membros do Exército americano que trabalhavam na Embaixada dos EUA em Islamabad. O número de estrangeiros mortos, no entanto, deve aumentar. O governo da Dinamarca informou que um agente do serviço de inteligência do país estava desaparecido. De acordo com o Departamento de Estado dos EUA outro funcionário da embaixada americana, que estava no hotel, não aparece entre os feridos.Autoridades paquistaneses confirmaram ontem que os terroristas usaram um caminhão com 600 quilos de explosivos, incluindo granadas, morteiros e bombas de fragmentação. A explosão deixou uma cratera de 7 metros de profundidade e 18 metros de diâmetro.IMAGENSIslamabad qualificou o ataque de "o maior atentado da história do Paquistão". Ontem, o governo paquistanês divulgou imagens de TV, feitas por câmeras do circuito interno do hotel, que mostram um caminhão tentando passar pela barreira de segurança, a cerca de 200 metros do prédio. As imagens mostram uma pequena explosão na cabine do caminhão - provavelmente o motorista, que se explodiu com uma granada -, seguida de um incêndio. Alguns minutos depois, enquanto agentes de segurança tentavam apagar o fogo, o caminhão explodiu, atingindo em cheio o prédio de cinco andares, com 290 quartos.Sobreviventes disseram que os seguranças do hotel salvaram muitas vidas ao pedirem para que os hóspedes se dirigissem para os fundos do edifício, entre o primeiro incêndio no caminhão e a explosão final. O hotel, o principal da capital e um dos destinos favoritos de turistas, diplomatas, executivos estrangeiros e de políticos paquistaneses, ainda corre o risco de desabar.ZARDARIO primeiro-ministro paquistanês, Youssef Raza Guilani, disse ontem que o ataque foi uma tentativa de desestabilizar o país. "Eles querem acabar com a democracia no Paquistão e destruir o país economicamente", disse ele, que assumiu o poder há seis meses, após nove anos de governo do ex-general Pervez Musharraf.O ataque ocorreu horas depois de o novo presidente do país, Asif Ali Zardari, viúvo da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, assassinada num atentado no ano passado, ter feito seu primeiro discurso no Parlamento e prometido extirpar do país o terrorismo.Ontem, Zardari qualificou o atentado de covarde. "Isso é uma epidemia, um câncer que nós vamos eliminar do Paquistão", disse ele em um pronunciamento na TV. "Não podemos ter medo desses covardes."O presidente dos EUA, George W. Bush, também condenou o atentado. "Esse ataque é uma lembrança das ameaças que ainda pesam sobre o Paquistão, os EUA e todos aqueles que lutam contra o terrorismo", disse Bush, que está em Nova York para sua última reunião da Assembléia-Geral da ONU.FRASESYoussef Raza GuilaniPrimeiro-ministro do Paquistão "Eles querem acabar com a democracia no Paquistão e destruir o país economicamente"Asif Ali ZardariPresidente do Paquistão "Isso é uma epidemia, um câncer que nós vamos eliminar do Paquistão. Não podemos ter medo desses covardes"

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