Paquistão adia eleições, mas não dá data de votação

A comissão eleitoral do Paquistão confirmou ontem que as eleições parlamentares, marcadas para o dia 8, serão adiadas, provavelmente para fevereiro. A nova data, no entanto, só será divulgada hoje. Fontes do órgão revelaram que o governo precisará de pelo menos um mês para organizar as eleições. A decisão foi tomada após a morte da ex-premiê Benazir Bhutto em um atentado na quinta-feira e deve aumentar ainda mais a tensão no país. Desde a morte de Benazir, 58 pessoas morreram em confrontos em várias cidades paquistanesas. Partidos de oposição, contrários ao adiamento, devem realizar protestos contra a decisão. Ainda ontem, o governo voltou atrás em sua versão sobre a causa da morte de Benazir. Tentando minimizar possíveis acusações de negligência na segurança de Benazir, Islamabad afirmou que a líder havia morrido ao bater a cabeça no teto solar do carro onde estava e não em decorrência dos tiros. A família de Benazir rejeitou a versão. Imagens do ataque mostram um homem atirando contra a ex-premiê e, logo depois, uma explosão. Ontem, o porta-voz do Ministério do Interior, Javed Iqbal Cheema, foi mais comedido e disse que o governo espera a conclusão dos médicos forenses. "Não há intenção de esconder nada da população", disse. Na segunda-feira, no entanto, Athar Minallah, um dos membros da direção do Hospital Geral de Rawalpindi, para onde Benazir foi levada, publicou uma carta dizendo que a polícia impediu a realização de uma autopsia.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.