Paquistão admite repasse ilegal de tecnologia nuclear

O governo paquistanês fez nesta segunda-feira seu mais claro anúncio público de que funcionários de seu laboratório de armas nucleares repassaram tecnologia e serão acionados judicialmente em meio a uma investigação de dois meses sobre alegações de proliferação de armas para Irã e Líbia. "Uma ou duas pessoas agiram de forma irresponsável em busca de lucros pessoais. Há dinheiro envolvido. Não direi o nome de nenhum cientista", disse o ministro paquistanês da Informação, xeque Rashid Ahmed, durante entrevista coletiva concedida em Islamabad. Ahmed, o principal porta-voz do governo do Paquistão, fez os comentários em meio a especulações sobre a possibilidade de indiciamento de importantes cientistas do programa de três décadas que transformou o Paquistão na primeira potência nuclear islâmica do planeta. De acordo com ele, sete pessoas ainda estão detidas, sendo três cientistas e quatro agentes de segurança. Ahmed disse que a fase de interrogatórios de funcionários do Laboratório de Pesquisas Khan - uma instalação onde ocorre enriquecimento de urânio para uso em armas nucleares - começou em novembro e deverá ser encerrada nos próximos dias. Segundo a imprensa local, os principais suspeitos de participação no esquema seriam o doutor Mohammed Farooq, ex-diretor-geral do laboratório, e o doutor Abdul Qadeer Khan, fundador do laboratório. Farooq está detido há quase dois meses; Khan é considerado há muito tempo um herói nacional paquistanês. Khan não foi detido, mas um conhecido disse que ele estaria proibido de deixar Islamabad e já foi interrogado em diversas ocasiões. Ahmed disse hoje que Khan não está sob nenhuma restrição. Os investigadores estão analisando as movimentações bancárias de alguns cientistas. Ontem, um jornal paquistanês publicou que as autoridades descobriram milhões de dólares nas contas de dois cientistas. O dinheiro teria sido recebido por transações ligadas à transferência de tecnologia nuclear ao Irã. O jornal não citou o nome dos cientistas suspeitos. Em conversa com jornalistas em Karachi, no sul do país, o ministro de Interior Faisal Saleh Hayyat prometeu ações legais contra os suspeitos de participação no esquema. "Ninguém será poupado, independentemente de sua posição", garantiu. Ele recusou-se a revelar a identidade dos cientistas cujas contas estão sendo investigadas.

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