Paquistão adverte contra bombardeios no Ramadã

O líder do regime militar do Paquistão, general Pervez Musharraf, disse hoje que caso a campanha de bombardeios liderados pelos Estados Unidos continue durante o mês sagrado islâmico do Ramadã, haverá um "impacto negativo em todo o mundo muçulmano" e advertiu que a imagem da coalizão está sendo comprometida devido às vítimas civis.Musharraf, um aliado-chave muçulmano na campanha militar dos EUA no Afeganistão, afirmou que levantará a questão do Ramadã quando se encontrar com o presidente americano George W. Bush, este fim de semana em Nova York."Meu meio de pressão é a força do meu argumento", disse numa entrevista coletiva em Paris, onde se encontrou com autoridades francesas numa tentativa de consolidar apoio econômico a seu país. Ele voou posteriormente para Londres a fim de se reunir com o primeiro-ministro britânico, Tony Blair.A continuidade dos bombardeios durante o Ramadã, que começa em cerca de 10 dias, "terá um efeito adverso nos países muçulmanos", afirmou Musharraf, falando em inglês. "Terá um impacto negativo em todo o mundo muçulmano".A ocorrência de vítimas civis já está comprometendo a imagem da coalizão entre os islâmicos, disse. "Vítimas civis... têm de ser evitadas o máximo possível. Esta guerra tem sido vista, em todo o mundo, como uma guerra contra o povo pobre, miserável, inocente do Afeganistão", afirmou, insistindo na necessidade de uma ação militar "curta e focada"."A magnitude do objetivo (militar) a ser alcançado não é grande. Na verdade, é muito pequeno", disse o general, numa aparente referência aos esforços da coalizão para esmagar a rede Al-Qaeda, de Osama bin Laden, o principal suspeito dos ataques terroristas de 11 de setembro nos EUA. Com apropriada informação de inteligência, acrescentou, "ele pode ser alcançado em poucas horas ou em um dia".Entretanto, ele afirmou que o objetivo "depende diretamente da inteligência, de apropriados dados de inteligência". Perguntado se o Paquistão sabia do paradeiro de Bin Laden, Musharraf respondeu: "Não. Não temos idéia. Gostaríamos de descobrir".O general também disse que não tem "intenção" de romper relações diplomáticas com o regime taleban, que abriga Bin Laden. Ele afirmou que é "essencial" que os laços sejam mantidos. A relação oferece uma "útil janela diplomática", disse. "A interação diplomática é útil e frutífera, e aceita pela coalizão".Musharraf disse hoje a repórteres que seu país, agora numa área declarada em "risco de guerra", deve ter perdas estimadas em US$ 4 bilhões com o conflito. Mercados de exportação foram devastados, os seguros foram para as alturas, linhas aéreas cancelaram vôos e a indústria de turismo está sendo fortemente afetada.O Paquistão já conseguiu a suspensão de algumas sanções econômicas impostas pelos EUA após testes nucleares, e várias promessas de cancelamento de dívidas como recompensa por sua decisão de apoiar a coalizão.O líder paquistanês, que tomou o poder num golpe em 1999, disse que sua situação é segura no Paquistão apesar de protestos de fundamentalistas islâmicos por sua aliança com a coalizão e uma recente reforma nas Forças Armadas. "Não existem riscos. Sei do apoio de que desfruto no Paquistão", disse.Leia o especial

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