Paquistão alerta EUA de que podem 'perder um aliado'

Washington irrita país ao acusá-lo de fazer jogo duplo na guerra contra militantes islâmicos

QASIM NAUMAN E MISSY RYAN, REUTERS

23 Setembro 2011 | 10h53

ISLAMABAD - O Paquistão alertou os EUA de que sua aliança pode ser rompida se Washington continuar acusando Islamabad de fazer jogo duplo na guerra contra os militantes islâmicos, em declarações que agravam a crise nas relações entre os dois países.

A chanceler paquistanesa, Hina Rabbani Khar, reagia a comentários feitos pelo chefe do Estado-Maior das Forças Armadas dos EUA, almirante Mike Mullen, segundo quem a principal agência paquistanesa de espionagem tem estreitas relações com a rede militante Haqqani, a facção mais violenta e ativa do Taliban no Afeganistão.

Foi a acusação mais séria lançada pelos EUA contra o Paquistão, única potência nuclear islâmica, em dez anos de aliança na "guerra ao terrorismo".

"Vocês vão perder um aliado", disse Khao numa entrevista à Geo TV, em Nova York, transmitida na sexta-feira.

"Vocês não podem se dar ao luxo de alienar o Paquistão, não podem se dar ao luxo de alienar o povo paquistanês. Se escolherem fazer isso (...), o custo será deles (EUA) próprios."

Em depoimento ao Senado, Mullen acusou a inteligência militar paquistanesa de colaborar com um ataque de militantes da rede Haqqani contra a embaixada dos EUA em Cabul, na semana passada.

A ação militar unilateral dos EUA que levou à morte de Osama bin Laden no território paquistanês, em maio, já havia abalado as relações entre os dois países. Elas estavam começando a se recuperar quando aconteceu o ataque em Cabul. Ambos os lados agora adotaram uma retórica excepcionalmente agressiva.

No Congresso dos EUA, cresce rapidamente a pressão para restringir ou condicionar a ajuda ao Paquistão.

Mas um rompimento total entre EUA e Paquistão - países eventualmente amigos, e muitas vezes adversários - parece improvável, no mínimo porque Washington precisa usar o território paquistanês para abastecer suas forças no Afeganistão, e como base para seus aviões militares não-tripulados.

O Paquistão, por sua vez, recebe ajuda militar e econômica dos EUA, e vê a aliança como garantia de estabilidade nas suas relações com a vizinha e rival Índia, que também possui armas nucleares.

"A mensagem para a América é: 'Eles não conseguem viver sem nós'," disse o primeiro-ministro paquistanês, Yusuf Raza Gilani, a jornalistas.

Mais conteúdo sobre:
PAQUISTAO EUA ALERTA*

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.