Paquistão ameaça rever relações com os EUA após a morte de líder taleban

Governo de Islamabad denuncia a morte de Mehsud, por um ataque com um drone, como uma tentativa americana para atrapalhar as negociações de paz com o grupo militante

O Estado de S. Paulo,

03 de novembro de 2013 | 19h32

PESHAWAR, PAQUISTÃO - O Paquistão vai rever sua relação com os Estados Unidos, anunciou o governo neste domingo, 3, após a morte do líder do Taleban paquistanês, Hakimullah Mehsud, em um ataque com drone (avião não tripulado) americano na sexta-feira. Funcionário de alto escalão previam se reunir ontem para discutira a questão, mas o encontro foi adiado sem explicação.

Mehsud, que tinha sua cabeça posta a prêmio por US$ 5 milhões pelos americanos, foi morto em um reduto da militância paquistanesa do Waziristão do Norte, perto da fronteira afegã.

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O Taleban paquistanês matou milhares de civis e membros das forças de segurança paquistaneses em seu empenho para impor um regime islamista no país, mas o novo governo do Paquistão vinha propondo negociações de paz com o Taleban. O governo denunciou a morte de Mehsud como uma tentativa americana para atrapalhar as negociações e convocou o embaixador americano no sábado para protestar.

Alguns políticos pediram o bloqueio das rotas de transporte de suprimento militar americano para o Afeganistão em represália ao ataque.

"Está claro que os Estados Unidos são contra a paz e não querem que o terrorismo diminua. Agora, só temos uma agenda: barrar os suprimentos da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) que passam por (a província setentrional de) Khyber Pakhtunkhwa", disse Asad Qaiser, o presidente da assembleia provincial.

O Paquistão é a principal rota de suprimentos para as tropas americanas no Afeganistão, que não tem saída para o mar. Alimentos, água potável, remédios e combustíveis passam pelo território paquistanês e o fechamento das rotas poderia provocar um colapso no momento em que os americanos e outras forças ocidentais se preparam para se retirar do Afeganistão até o fim do próximo ano.

A cooperação paquistanesa é considerada vital também para tentar trazer paz ao Afeganistão, em particular atraindo o Taleban afegão - aliado, mas independente do Taleban paquistanês - para conversações com o governo de Cabul.

As relações entre os EUA e o Paquistão foram seriamente abaladas várias vezes nos últimos anos, incluindo em 2011, quando forças americanas mataram o líder da Al-Qaeda, Osama bin Laden, numa operação que, segundo o Paquistão, violou sua soberania. Mas o empobrecido Paquistão depende muito da ajuda americana.

Uma porta-voz do Taleban paquistanês prometeu uma onda de atentados como vingança. Grupos militantes aliados também estão planejando atentados, disse Ahmed Marwat, o porta-voz do grupo militante Jundullah. / REUTERS

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