Akhtar Soomro/Reuters
Akhtar Soomro/Reuters

Paquistão amplia bloqueio a comboios da Otan

Premiê diz que medida, adotada em represália a ataque aéreo dos EUA, pode durar semanas

ISLAMABAD, O Estado de S.Paulo

12 de dezembro de 2011 | 03h01

ISLAMABAD - O Paquistão continuará bloqueando o acesso a seu território dos comboios da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) para o Afeganistão por várias semanas, disse ontem o primeiro-ministro Yusuf Gilani à rede BBC.

O governo de Islamabad proibiu a passagem dos comboios em protestos pelo ataque aéreo dos EUA que matou 24 soldados paquistaneses em dois postos de controle na fronteira com o Afeganistão no dia 26. O envio de suprimentos para as forças da Otan no Afeganistão é feito em grande parte pela rota que vai do porto paquistanês de Karachi até a Passagem de Khyber, nas montanhas entre os dois países. Centenas de caminhões estão parados na fronteira esperando o fim da crise e sua liberação.

Ainda ontem, os EUA abandonaram uma base aérea no Paquistão e entregaram seu controle às autoridades paquistanesas, atendendo à ordem de Islamabad para que deixassem a instalação militar na Província do Baluquistão, no sudoeste do país, por causa do ataque aéreo contra seus soldados. A Otan pediu desculpas pelo bombardeio, dizendo que foi um "trágico acidente". Mas o governo paquistanês insistiu para que as forças americanas deixassem a base de Shamsi até ontem.

Acredita-se que a instalação estava sendo usada secretamente para ataques com aviões não tripulados (drones) da CIA contra alvos do Taleban e da rede Al-Qaeda na área tribal do noroeste do Paquistão. Mas analistas acreditam que o fechamento da base não vai interferir nos ataques com drones, pois, em sua maioria, os aviões não tripulados são lançados de bases no Afeganistão e monitorados via satélite nos EUA.

Bin Laden. O bombardeio americano ampliou ainda mais a tensão entre Washington e Islamabad, antigos aliados na luta contra o terror. As relações entre os dois países já estavam estremecidas por causa da operação secreta lançada pelos EUA em território paquistanês que levou à morte do líder da Al-Qaeda Osama bin Laden.

O governo paquistanês reclamou que a operação contra Bin Laden em seu território foi realizada sem sua autorização, já as autoridades em Washington disseram que aparentemente o terrorista saudita estava abrigado no Paquistão com o conhecimento de Islamabad.

Em entrevista à BBC, Gilani disse que o Paquistão e os EUA precisam confiar um no outro. "Sim, há uma falta de credibilidade. Estamos trabalhando nisso, mas ainda não recuperamos a confiança mútua", afirmou. / AP

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