Paquistão amplia ofensiva militar na fronteira afegã

A ofensiva militar do Paquistão entrou no seu terceiro dia. O Exército combateu hoje militantes em três frentes e jatos bombardearam posições dos insurgentes perto da fronteira com o Afeganistão. As forças paquistanesas ampliaram sua ação contra o principal bastião do Taleban e da Al-Qaeda no país. Funcionários de inteligência disseram que os combates ocorriam perto de Jandola, Razmak e Wana, três cidades onde o Exército mantém bases. Jatos lançavam ataques nas áreas de Ladha e Makeen, disseram as fontes, pedindo anonimato.

AE-AP, Agencia Estado

19 de outubro de 2009 | 10h31

A ofensiva tem como meta eliminar os militantes do Taleban ligados à tribo Mehsud, que controla quase 3.310 quilômetros quadrados de território, ou quase meio Waziristão do Sul, uma região instável e semiautônoma, onde extremistas islâmicos ficam sediados para planejar ataques contra forças locais, tropas ocidentais no Afeganistão e alvos no Ocidente. Esses extremistas são acusados por 80% dos ataques suicidas no Paquistão nos últimos três anos.

Parte da estratégia paquistanesa envolve acordos com outros grupos militantes e tribos na região. A ação é vista como a mais crucial do Paquistão até o momento contra os insurgentes, que controlam grande parte da área a noroeste perto da fronteira afegã.

O Exército afirmou ontem que 60 militantes e 6 soldados foram mortos desde o início da ofensiva, no sábado. Fontes de inteligência citam hoje mais oito militantes mortos na área de Khaisur. Os dados não podem ser confirmados, pois o Exército bloqueia o acesso ao Waziristão do Sul. Hoje a polícia local anunciou a prisão de um líder do Taleban paquistanês na cidade de Karachi, sul do país, junto com outros três militantes. O líder foi identificado como Akhtar Zaman.

Os relatos de moradores dão conta de que a resistência no Waziristão do Sul está mais forte que a no Vale do Swat, outra região no noroeste do país onde os militantes foram enfrentados, mais cedo neste ano. Os militares esperam que a ação no Waziristão do Sul dure dois meses.

Tropas

Aproximadamente 30 mil soldados fazem parte da ofensiva. Estima-se que haja na área 10 mil militantes paquistaneses e 1.500 combatentes estrangeiros. Aproximadamente 150 mil civis já deixaram a região nos últimos meses, após o Exército indicar que planejava a operação. Porém ainda vivem ali 350 mil pessoas, e autoridades estimam que 200 mil delas podem fugir nas próximas semanas.

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