Paquistão: ataque mata 4 que atuavam no combate à pólio

Homens armados mataram a tiros quatro funcionários da área da saúde que trabalhavam numa campanha de vacinação contra a poliomielite, dos quais três eram mulheres. O ataque aconteceu nesta quarta-feira na cidade de Quetta, sudoeste do país, informaram policiais.

Estadão Conteúdo

26 Novembro 2014 | 12h29

O ataque representa o mais recente retrocesso nos esforços para conter a doença. O Paquistão é um dos únicos três países - juntamente com Nigéria e Afeganistão - onde a pólio é endêmica.

Pelo menos três outros trabalhadores da saúde ficaram feridos no ataque, que aconteceu durante campanha de vacinação na periferia leste de Quetta. Imran Qureshi, graduado integrante da polícia local, disse que homens armados em motocicletas abriram fogo contra os funcionários da saúde enquanto o grupo esperava para dar início à campanha de vacinação.

"Dois trabalhadores foram mortos na hora e os outros dois morreram a caminho do hospital", declarou Qureshi.

O ataque foi o segundo contra trabalhadores da saúde que atuam contra a pólio no Paquistão em 24 horas. Na terça-feira, militantes do Taleban paquistanês assumiram a responsabilidade por um ataque na província de Khyber Pakhtunkhwa, noroeste do país, que deixou um trabalhador em estado grave.

O primeiro-ministro paquistanês Nawaz Sharif condenou os ataques. A rádio estatal citou o premiê dizendo que os que atacaram trabalhadores da saúde que combatem a pólio são "inimigos do Paquistão".

Pelo menos 256 casos de pólio foram registrados no país neste ano, o que representa o número mais alto de 14 anos.

Autoridades provinciais de Quetta disseram que o aumento no número de casos fez com que a campanha fosse realizada, num esforço especial para combater a doença em 11 distritos considerados de risco mais alto. Mas o ataque desta quarta-feira suspendeu a campanha até segunda ordem, disseram as autoridades.

Embora nenhum grupo tenha assumido a responsabilidade pelo ataque de hoje, militantes do Taleban do grupo Jamaatul Ahrar assumiram a autoria da ação de terça-feira. Foi a primeira vez que um grupo militante afirmou ter atacado um grupo de funcionários da saúde que combatem a pólio.

O Taleban paquistanês proibiu campanhas contra a pólio em regiões controladas pelo grupo, acusando os trabalhadores de espionar para países ocidentais. Mas, até terça-feira, eles negavam ter realizado ações contra esses profissionais.

Fonte: Dow Jones Newswires.

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