Informação para você ler, ouvir, assistir, dialogar e compartilhar!
Tenha acesso ilimitado
por R$0,30/dia!
(no plano anual de R$ 99,90)
R$ 0,30/DIA ASSINAR
No plano anual de R$ 99,90
EFE/EPA/SOHAIL SHAHZAD
EFE/EPA/SOHAIL SHAHZAD

Paquistão bloqueia sinal de celulares para pressionar pessoas a se vacinar

Segundo autoridades locais, medidas são necessárias para combater o ceticismo em relação às vacinas contra a Covid-19 e sobre a vacinação de forma mais ampla

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2021 | 05h00

ISLAMABAD - Preocupadas com a lentidão da vacinação contra o coronavírus no país, as autoridades do Paquistão decidiram tomar medidas drásticas, como bloquear o serviço de telefonia celular em duas províncias e suspender os salários de alguns servidores do governo que não se vacinaram.

Eles declaram que as medidas são necessárias para combater o ceticismo em relação às vacinas contra a Covid-19 e sobre a vacinação de forma mais ampla.

Em um esforço para obrigar as pessoas a tomarem as doses, as autoridades locais de duas províncias - Punjab e Sindh - anunciaram planos de bloquear o serviço de telefonia dos celulares dos moradores que recusarem a imunização.

“O governo está fazendo o seu melhor para facilitar a vacinação das pessoas”, disse o ministro da Informação, Syed Nasir Hussain Shah. Ele disse ser “inaceitável” a decisão de não se vacinar.

As autoridades não anunciaram quando a ordem entrará em vigor ou como será executada.

Há muito tempo o Paquistão luta contra a desinformação sobre as vacinas que se mostraram seguras e eficazes, especialmente em casos de poliomielite. É comum os pais se recusarem a imunizar seus filhos contra a pólio, acreditando que a vacina é prejudicial e faz parte de uma conspiração americana para esterilizar as crianças.

As recusas fizeram do Paquistão o último país para refúgio do vírus da pólio no mundo, além do vizinho Afeganistão. Agora as teorias da conspiração sobre os efeitos colaterais da vacina do coronavírus se espalharam no Paquistão.

“Ouvi dizer que as pessoas, depois de receberem a dose da vacina, vão morrer em dois anos,” disse Ehsan Ahmed, motorista de caminhão no Karachi. “É por essa razão que na nossa família de 25 pessoas ninguém está disposto a se vacinar”.

O governo estabeleceu como meta vacinar entre 45 milhões e 65 milhões de pessoas no fim deste ano e recentemente anunciou que tem planos de gastar US $1,1 bilhões na compra de doses. 

Porém, até terça-feira, o Paquistão havia imunizado cerca de 3 milhões de pessoas - menos de 2% da população - desde o início da campanha de vacinação em 3 de fevereiro, de acordo com dados do governo.

O país registrou aproximadamente 22 mil mortes de covid-19 e quase um milhão de pessoas testaram positivo para o vírus desde o início da pandemia. 

Ao mesmo tempo, o governo de Sindh instruiu seu Ministério das Finanças a parar de pagar os servidores do governo que não se vacinaram, a partir de julho. 

Desde que as medidas foram anunciadas, relatos sobre certificados de vacinação falsos dispararam.  Nesta semana, a polícia da cidade portuária de Karachi prendeu uma pessoa envolvida na venda de certificados falsos de vacinação no maior centro de vacinação da cidade. Eles custam cerca de US $12. / NYT

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.