Paquistão bombardeia o Taliban no Waziristão do Sul

Forças paquistanesas apoiadas por artilharia pesada atacaram na segunda-feira insurgentes do Taliban, como parte do avanço militar sobre redutos de militantes numa região turbulenta da fronteira com o Afeganistão.

HAFIZ WAZIR, REUTERS

19 de outubro de 2009 | 10h00

Os Estados Unidos e outras potências acompanham de perto o conflito nessa região que é considerada um centro global da militância islâmica, e na segunda-feira o general David Petraeus, comandante das forças dos EUA na região, está no Paquistão para conversas com autoridades locais.

Os militantes vêm realizando uma onda de ataques no Paquistão, inclusive, na semana passada, atentados contra instalações militares que mataram mais de 150 pessoas.

Mas o Exército tem anunciado avanços contra o Taliban na região do Waziristão do Sul, e analistas preveem que os militantes serão expulsos dos seus redutos e acabarão enfraquecidos.

"Quando as forças assumirem o Waziristão, aí vocês verão definitivamente a resistência diminuindo", disse o general da reserva Asad Munir, ex-agente dos serviços de inteligência paquistaneses, prevendo que a operação levará pelo menos seis semanas.

Na opinião dele, os militantes podem inicialmente intensificar seus ataques contra alvos governamentais, mas, diante a ofensiva militar, "sua capacidade básica de treinamento e lançamento de pessoas em diferentes partes do Paquistão (...) será diluída".

Na segunda-feira, moradores de Wana, principal centro urbano do Waziristão do Sul, disseram que houve intensos combates durante a noite.

"Houve fogo de artilharia durante a noite. Foi um fogo muito intenso", disse o morador Noor Wali por telefone.

O Exército disse no domingo que 60 militantes e 5 soldados foram mortos nas primeiras 24 horas dessa aguardada ofensiva. Não houve confirmação independente dessas cifras.

Cerca de 28 mil soldados enfrentam cerca de 10 mil militantes do Taliban, inclusive cerca de mil combatentes usquebes e alguns membros árabes da Al Qaeda.

Os militantes tiveram anos para preparar seus esconderijos numa terra de montanhas áridas e florestas esparsas, cortadas por valas e despenhadeiros secos.

O Exército disse ter cercado os militantes na sua principal zona, numa faixa de terreno no norte da região, e soldados apoiados por aviões e artilharia atacam a partir do norte, do sudoeste e do sudeste.

Jornalistas estrangeiros não podem entrar na área, e a ida de repórteres paquistaneses é arriscada. Muitos dos jornalistas paquistaneses que viviam no Waziristão do Sul fugiram.

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