Paquistão busca ajuda internacional em inquérito sobre Benazir

O presidente do Paquistão, PervezMusharraf, buscará ajuda internacional na investigação doassassinato da líder da oposição Benazir Bhutto, afirmou naquarta-feira um assessor dele. Num pronunciamento à TV, Musharraf também deve pedir calmaantes das eleições, que estavam marcadas para 8 de janeiro masque vão ser adiadas por semanas. A Comissão Eleitoral anunciaráuma nova data para o pleito depois do pronunciamento deMusharraf. O Paquistão vem sendo pressionado pela comunidadeinternacional e pelo partido de Benazir, o PPP (Partido do Povodo Paquistão), a aceitar uma investigação externa do crime.Especialistas em evidências policiais acreditam que muitasprovas se perderam na operação de limpeza depois do ataque quematou a ex-premiê, que foi alvo de tiros e de um homem-bomba. Os paquistaneses acreditam cada vez menos no inquérito dogoverno, principalmente depois da declaração do Ministério doInterior de que o que matou a ex-premiê foi o choque de suacabeça contra uma alavanca do teto solar do carro blindado emque ela estava. Assessores dela dizem ter visto ferimentos debala e imagens da TV mostraram um homem armado atirando a poucadistância dela. As autoridades divulgaram na quarta-feira fotos de umacabeça decepada e de dois homens em meio à multidão antes doataque. O governo ofereceu recompensa pela identificação doshomens. Uma das imagens mostra um jovem barbeado de óculos escurose atrás dele está um homem com um grande xale na cabeça que umaemissora de TV afirmou que pode ser do responsável pelo ataqueà bomba. Outras imagens e gravações de vídeo mostraram o jovemdisparando uma pistola contra Bhutto quando ela deixava umcomício em Rawalpindi, acenando para o público pelo teto solardo carro. O PPP quer que as eleições sejam mantidas, para que possaaproveitar a onda de solidariedade. O assessor presidencialdisse que a decisão de adiar a eleição deve-se a questõeslogísticas, em especial à destruição de seções eleitorais naviolência que se seguiu ao assassinato. Ele negou que oobjetivo seja evitar que o PPP se beneficie em cima doassassinato. "Como podemos achar que essa onda de solidariedadevá passar em umas poucas semanas?" O governo acusa a Al Qaeda pelo assassinato, mas oPaquistão está dominado por teorias da conspiração dizendo quea ex-premiê foi morta por inimigos políticos. Musharraf governao país desde 1999, depois de um golpe militar. Benazir Bhuttohavia voltado ao Paquistão em outubro para participar daretomada da democracia.

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