Paquistão celebra 60 anos da sua independência

Data é marcada por grandes festas e pelo discurso à nação do presidente Pervez Musharraf

Efe,

14 de agosto de 2007 | 02h51

O Paquistão celebra nesta terça-feira, 14, o 60º aniversário da independência do Império Britânico, depois que o território foi separado da Índia, originando um Estado muçulmano. A data é marcada por grandes festas e pelo discurso à nação do presidente Pervez Musharraf.  Veja também: Saiba mais sobre a divisão do território indiano em 1947 O dia amanheceu com orações especiais nas mesquitas pedindo solidariedade, progresso e prosperidade para o país. Nas principais cidades houve salvas de tiros para comemorar o 14 de agosto de 1947. A data marcou a partilha definitiva do subcontinente indiano, segundo o modelo de duas religiões e dois Estados defendido pelo "pai da pátria" Mohammed Ali Jinnah. A separação causou a consternação de líderes como o Mahatma Gandhi. Nos primeiros dias após a declaração de independência, houve migrações maciças de muçulmanos ao novo Paquistão, e de hindus que preferiam ficar em território indiano. Ao mesmo tempo, massacres mataram cerca de 1 milhão de pessoas. Nesta terça-feira, os edifícios governamentais paquistaneses foram enfeitados com luzes coloridas. O país será homenageado em exposições de artesanato e de fotografia, com o movimento de independência como tema principal. Segundo o canal de televisão Geo TV, vários partidos políticos convocaram manifestações públicas para celebrar o dia. O governo e organizações culturais planejam numerosas atividades. Apesar do ambiente festivo, o Paquistão vive uma situação política complicada, no período que antecede as eleições legislativas e a renovação do mandato de Musharraf. O presidente deve falar nesta terça-feira à nação pela TV. Musharraf enfrenta uma crescente oposição por parte dos setores que pedem mais democracia, além de uma onda de violência islâmica que deixou centenas de mortos no cinturão tribal do oeste do país. Relação com a Índia Na quarta-feira, a Índia lembrará a sua independência, que custou a vida de milhões de pessoas. Na segunda-feira, o Paquistão libertou 134 prisioneiros indianos e espera um gesto recíproco, com a libertação de 113 paquistaneses mantidos em prisões indianas. Os dois países chegam ao 60º aniversário de independência e separação com um processo de diálogo aberto, mas interrompido pela crise paquistanesa. Desde então, os países já travaram três guerras. Na década passada, a rivalidade os levou a desenvolver armas nucleares. Apesar disso, a Índia e o Paquistão iniciaram um "processo de paz" em 2004, cinco anos após o último conflito armado, em Kargil, na Caxemira. Os países vêm realizando negociações, mas sempre há interrupções no processo de paz. Uma delas ocorreu em julho de 2006, com os atentados de Mumbai - pelos quais Nova Délhi acusou Islamabad -, e outra foi causada pela atual crise política no Paquistão. Em fevereiro, o diálogo bilateral culminou com a assinatura de um acordo entre os chanceleres indiano e paquistanês. O ato tem como objetivo reduzir o risco de acidentes com armas nucleares durante os testes realizados por cada um dos países. O acordo foi assinado depois que tanto o Paquistão quanto a Índia se viram ameaçados pelo terrorismo, com um atentado no único trem que une Délhi a Lahore, em fevereiro deste ano. O ataque causou 68 mortes e aconteceu em solo indiano, mas a maioria das vítimas era de paquistaneses. O incidente levou à criação de uma estratégia antiterrorista conjunta, com poucos resultados visíveis até agora.

Tudo o que sabemos sobre:
independênciaPaquistão60 anos

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.