Paquistão condena ataque dos EUA que matou 11 soldados

Ataque aéreo na fronteira com Afeganistão durante confronto com Taleban causa revolta do governo

Reuters e Efe,

11 de junho de 2008 | 13h10

O Paquistão disse nesta quarta-feira, 11, que um ataque aéreo "gratuito e covarde" realizado pelos EUA matou 11 soldados paquistaneses na região da fronteira com o Afeganistão e minou as bases da cooperação militar mantida com os americanos. Os militares foram mortos em um posto de fronteira da região de Mohmand, perto da Província afegã de Kunar, na noite de terça-feira, quando forças da coalizão americana enfrentavam, no Afeganistão, militantes que atacavam desde o território paquistanês, afirmou uma autoridade da área de segurança do Paquistão.   Em um comunicado divulgado na quarta-feira, as Forças Armadas dos EUA disseram ter coordenado os ataques de artilharia e aéreos com o Paquistão, mas que investigariam o caso. As tropas americanas se viram atacadas por inimigos na província oriental de Kunar, perto da fronteira com o Paquistão, e responderam com um bombardeio aéreo contra os supostos taleban, segundo o comando militar dos EUA.   O comunicado não diz quantas pessoas morreram no ataque aéreo, embora tenha informado que "em nenhum momento as forças de terra da coalizão cruzaram (a fronteira) para o Paquistão".O incidente ocorre no momento em que aumenta a frustração do governo paquistanês e das forças ocidentais presentes no Afeganistão em vista dos esforço paquistaneses de negociar pactos para colocar fim à violência do seu lado da fronteira. Segundo a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), tais acordos geram apenas mais violência no Afeganistão. Na crítica mais dura já feita desde que ingressaram na campanha liderada pelos Estados Unidos contra o terrorismo, os militares paquistaneses condenaram a morte dos 11 soldados paramilitares, entre os quais um oficial. Caso confirmado, esse representaria o maior contingente de militares do Paquistão mortos em um ataque dos EUA.   A investida "prejudicou a base da cooperação e do sacrifício sobre a qual os soldados paquistaneses dão apoio à coalizão na guerra contra o terror", afirmaram os militares do Paquistão. Em Washington, Bryan Whitman, porta-voz do Pentágono, disse que o incidente ocorreu em uma área de fronteira que há muito tempo preocupa os EUA e o Paquistão.   Resposta americana   Os Estados Unidos qualificaram nesta quarta de "lamentável incidente" a morte de 11 soldados paquistaneses no bombardeio, e expressou seu "pesar" pela perda das vidas.   O porta-voz adjunto do Departamento de Estado americano, Gonzalo Gallegos, disse que o resultado da operação militar, que, segundo os EUA, foi em resposta a ataques de insurgentes, demonstra que "é vital" que haja uma melhor comunicação fronteiriça entre as forças.   "É um lamentável incidente. Entristece-nos a perda de vidas no Exército paquistanês, que é um aliado na luta contra o terror", disse Gallegos. Ele explicou que a embaixadora americana em Islamabad, Anne Patterson, se reuniu com o ministro de Exteriores paquistanês, Shah Mehmood Qureshi, para dar explicações sobre o bombardeio.   "Temos certeza de que os exércitos dos dois países analisarão o incidente, avaliarão como prevenir que se repita e como evitar que esta área seja utilizada por extremistas", disse Gallegos.   (Matéria atualizada às 19h30)  

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