Paquistão confirma prisão de líderes por ataques em Mumbai

Premiê diz que 2 chefes do Lashkar-e-Taiba foram presos, organização que a Índia acusa pelos atentados

Agências internacionais,

10 de dezembro de 2008 | 08h10

As autoridades paquistanesas detiveram os dois principais líderes do grupo militantes islâmico Lashkar-e-Taiba, que a Índia acusa pelos ataques na cidade de Mumbai, segundo afirmou o primeiro-ministro do Paquistão, Yousaf Raza Gilani, nesta quarta-feira, 10. Zarar Shah, alto comandante operacional do Lashkar, e Zakir Rehman Lakhvi, cuja prisão foi divulgada na terça, estão entre os militantes detidos na incursão militar contra um campo de treinamento do grupo.   Veja também: Zardari no NYT: O Paquistão também é alvo de radicais Gilles Lapouge: Taleban ganha força nas aldeias     O anúncio da prisão de Shah poderia ser reflexo da pressão da Índia e dos Estados Unidos sobre o governo paquistanês depois dos atentados coordenados contra a capital financeira da Índia, que matou 173 pessoas. Islamabad já deteve militantes do passado, mas costumada os libertar posteriormente, o que elevava as críticas de sua postura do combate ao extremismo no país. Gilani não deu detalhes das prisões, afirmando apenas que eles estão sob custódia e sendo investigados.   Ambos são acusados de pertencer ao Lashkar, grupo militante paquistanês banido pelo governo e com laços históricos com o serviço secreto paquistanes, que teria apoiado sua criação. Gilani não confirmou a prisão de Masood Azhar, líder de outro grupo islâmico, o Jaish-e-Muhammad, mas afirmou que o governo paquistanês lançou sua própria investigação sobre as acusações da Índia de que os homens armados que atacaram a cidade teriam ligações com o Paquistão. Tanto o Lashkar como o Jaish-e-Muhammad foram formados para combater o domínio indiano na província da Caxemira, e os dois foram banidos depois do ataque contra o Parlamento indiano em 2001, que quase provocou uma nova guerra entre os dois inimigos nucleares.   A polícia indiana identificou na terça os nove militantes islâmicos que, entre 26 e 29 de novembro, aterrorizaram Mumbai e acabaram mortos pelas forças de segurança. Com a divulgação de fotos e dos locais de origem dos acusados, Nova Délhi confirma a tese de que todos os agressores seriam paquistaneses e aumenta a pressão para que o governo do Paquistão feche o cerco aos responsáveis pelos atentados.   Os homens identificados pelo chefe da polícia de Mumbai, Rakesh Maria, têm entre 20 e 28 anos e, em sua maioria, são originários da província paquistanesa do Punjab, próxima da Caxemira e da fronteira com a Índia. O chefe da polícia exibiu fotos de documentos e dos cadáveres de oito dos acusados e revelou os codinomes que eles teriam usado na operação. Segundo o oficial, o corpo do nono militante estaria queimado demais para ser mostrado à imprensa. Apenas um dos dez terroristas que atacaram Mumbai, Ajmal Amir Kasab, sobreviveu aos atentados e acabou preso.   De acordo com a polícia, o líder da operação seria Ismail Khan, "veterano" do grupo islâmico Lashkar-i-Taiba - organização apontada pela Índia e pelos EUA como responsável pela série de ataques, que deixou 173 mortos. Nascido no noroeste do Paquistão, Khan tinha 25 anos participou do cerco à estação de trem de Chhatrapati Shivaji. O mais jovem do grupo, identificado apenas como Shoaib, tinha 20 anos e foi um dos militantes que atacou o Hotel Taj Mahal.

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