Paquistão culpa Al-Qaeda por morte de Benazir

Segundo Ministério do Interior, inteligência interceptou um dos terroristas mais procurados do país

REUTERS

28 de dezembro de 2007 | 14h42

O Paquistão tem informações de inteligência que colocam a rede Al-Qaeda como mentora do assassinato da líder oposicionista e ex-premiê paquistanesa Benazir Bhutto, disse nesta sexta-feira, 28, um porta-voz do Ministério do Interior do país.   Veja também: Distúrbios deixam 23 mortos Paquistão culpa Al-Qaeda por morte de Benazir Índia reforça vigilância na fronteira Onda de choque causou a morte de Benazir Filha de dinastia, Benazir era figura polêmica Análise: Paquistão em mares desconhecidos Imagens Cronologia: A trajetória de Benazir Vídeo e análise com Roberto Godoy Blog do Guterman: Guerra civil à vista    "Temos dados interceptados de inteligência indicando que o líder da Al-Qaeda Baetilha Mehsud está por trás do assassinato", disse o porta-voz Javed Iqbal Cheema durante uma entrevista a jornalistas. Mehsud é um dos militantes islâmicos mais procurados pelo Paquistão e vive na região do Waziristão do Sul, na fronteira com o Afeganistão.   Segundo Cheema, autoridades governamentais interceptaram nesta sexta-feira uma ligação em que Mehsud parabeniza seus militantes por levarem à cabo o ataque.   Ainda de acordo com o porta-voz, o terrorista também estaria por trás do atentado suicida contra Benazir que resultou na morte de mais de 140 pessoas em Karachi, em outubro, após sua volta ao país. A ex-premiê, que escapou ilesa do ataque, se auto-exilou por oito anos em Londres para evitar ser punida por corrupção em um processo aberto durante seu governo.   Morta em um ataque a bomba precedido de tiroteio após um comício político na cidade de Rawapindi, na quinta-feira, 27, Benazir foi enterrada no mausoléu ao lado de seu pai, um também ex-primeiro-ministro executado na década 1970.   O crime gerou a mais grave crise política a atingir o país em seus 60 anos de história independente. Cerca de 24 pessoas morreram no país vítimas da onda de protestos gerada pelo assassinato.   Acusações contra Musharraf   Os manifestantes que participaram do enterro entoaram músicas de protestos contra o presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, e aos Estados Unidos. Inimigo político de Benazir, o general é um forte aliado de Washington na "guerra ao terror".   Muitos dos partidários de Benazir acusam o governo de estar por trás do assassinato; outros, alegam que Musharraf não fez o suficiente para dar segurança a ex-premiê. A própria Benazir já havia acusado membros do governo próximos a Musharraf pelo atentado de outubro.   Durante a coletiva desta sexta-feira, Cheema afirmou também que a ex-premiê não morreu em decorrência de tiros ou estilhaços provocados pelo atentado, como havia sido informado anteriormente. Segundo o porta-voz do Ministério do Interior, Benazir morreu porque bateu a cabeça contra uma barra de proteção do teto solar de seu veículo. O movimento teria sido provocado pela força da explosão.   "Não havia perfurações de bala ou estilhaços" no coropo dela, disse Cheema.

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