Paquistão culpa regime do Taleban pelos ataques

O governo paquistanês culpou hoje o regime do Taleban pelos ataques liderados pelos EUA contra alvos no Afeganistão, enquanto influentes líderes islâmicos do Paquistão adotavam a posição oposta, condenando duramente as ações americanas. "Lamentamos que os esforços diplomáticos para convencer a liderança do Taleban a responder às exigências internacionais não tenham tido sucesso", assinalou um porta-voz da chancelaria em Islamabad. "Agora, foi iniciada uma ação militar contra o regime do Taleban", acrescentou. "O Paquistão fez tudo que pôde para tentar convencer a liderança do Taleban da gravidade da situação e a tomar as decisões corretas no interesse do povo afegão." O porta-voz manifestou a esperança de que "a ação dos EUA e aliados continue tendo alvos claros para alcançar os objetivos identificados pelas resoluções relevantes do Conselho de Segurança da ONU". E concluiu: "Esperamos que se tome cuidado para minimizar o dano ao povo afegão, que as operações acabem logo e seja promovido um esforço internacional para promover a reconciliação nacional e ajudar a reconstrução econômica do Afeganistão." O Paquistão, único país que ainda reconhece o governo do Taleban, tentou por várias vezes, nos últimos dias, convencer o grupo a entregar Osama bin Laden, apontado pelos EUA e aliados como responsável pelos atentados do dia 11 em Nova York e Washington. Antes dos atentados, o governo paquistanês buscava reconhecimento internacional para o regime do Taleban, mas depois, uniu-se à "guerra ao terrorismo" declarada por Washington, prometendo compartilhar informações de inteligência, permitir o uso de seu espaço aéreo para ataques ao Afeganistão e fornecer apoio logístico. Uma fonte oficial do Paquistão confirmou hoje que seu espaço aéreo foi mesmo usado nos ataques. Entretanto, a oposição interna ao apoio paquistanês aos ataques americanos é grande. Hoje, o mais poderoso partido religioso do Paquistão, o Jamaat-e-Islami, qualificou os bombardeios contra o Afeganistão de "ataques contra o Islã". O vice-presidente do partido, Munawar Hassan, advertiu que pode haver uma "séria revolta" entre os militares paquistaneses contra o general Musharraf. "O Exército paquistanês não concorda com Musharraf", afirmou, convocando protestos de rua para amanhã. O influente Conselho de Defesa Afegão, com sede na cidade paquistanesa de Lahore, também condenou os ataques anglo-americanos e lançou um chamado para uma jihad (guerra santa) contra "a agressão da América". Leia o especial

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