Paquistão dá 'sinal verde' para operação militar no Waziristão

Exército iniciará uma grande ofensiva contra a insurgência taleban na região tribal do Waziristão do Sul

EFE

17 de outubro de 2009 | 06h27

Pressionado pela onda de terror e violência que matou quase 200 pessoas no Paquistão em menos de duas semanas, o Governo do país deu "sinal verde" ao Exército para iniciar uma grande ofensiva por terra contra a insurgência taleban na região tribal do Waziristão do Sul, onde neste sábado já se são registrados movimentos de tropas, informaram fontes oficiais.

 

"O Governo deu finalmente sinal verde ao Exército para que desenvolva no Waziristão do Sul uma estratégia militar certeira", explicou um porta-voz governamental, Zafar Jabab. Segundo a fonte, não haverá um anúncio formal da operação por parte das autoridades políticas porque "o fator surpresa" para realizar a ação militar "é importante".

 

A decisão foi tomada em uma reunião realizada ontem na residência do primeiro-ministro paquistanês, Yousef Raza Guilani, na qual o chefe do Exército, Ashfaq Pervez Kiyani, falou da situação de segurança no país perante os líderes dos principais partidos políticos e vários ministros do Governo.

 

"Existiu um amplo consenso entre os participantes sobre a necessidade de atuar no Waziristão do Sul após a onda de ataques terroristas que está sofrendo o país", acrescentou Jabab. O comando militar está preparando desde o mês de junho a ofensiva nesta região fronteiriça com o Afeganistão, onde só se haviam registrado regularmente ataques aéreos contra alvos concretos tanto do Exército paquistanês como de aviões não tripulados dos EUA.

 

Em menos de duas semanas, série de atentados perpetrada pela insurgência taleban em diversos pontos do país tirou a vida de quase 200 pessoas e as autoridades decidiram dar um impulso à ação militar por terra contra o principal reduto dos radicais no Paquistão.

 

Diversas fontes de segurança e analistas calculam que cerca de 28 mil soldados e forças paramilitares foram desdobrados recentemente ao Waziristão do Sul, onde deverão fazer frente a uma rede insurgente de pelo menos 10 mil guerrilheiros radicais.

 

"No marco de uma ofensiva iminente" nos últimos dias se voltou a produzir um "aumento" no êxodo de civis da conflituosa região rumo às demarcações vizinhas de Tank e Dera Ismail Khan, disse Ariane Rummery, porta-voz no Paquistão do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (Acnur).

 

Pelo menos 100 mil pessoas abandonaram o Waziristão do Sul nos últimos meses, segundo cálculos "moderados" oferecidos por esta fonte.

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