Paquistão decide banir oficialmente o Taleban de seu território

Governo ilegaliza movimento islâmico após rejeitar oferta de diálogo em resposta aos atentados da última semana

Efe e Associated Press,

25 de agosto de 2008 | 08h47

O Paquistão decidiu oficialmente em seu território o Taleban, de acordo com anúncio feito nesta segunda-feira, 25, pelo Ministério do Interior. A medida funciona como uma resposta aos atentados da semana passada orquestrados pela milícia islâmica, mas também como um sinalizador de boas intenções para com os Estados Unidos, que tinham como forte aliado o ex-presidente Pervez Musharraf, que renunciou este mês.   O ministro de Interior, Rehman Malik, anunciou a decisão cerca de 24 horas após rejeitar uma oferta de cessar-fogo do Taleban na região de Bajur, fronteiriça com o Afeganistão, onde recentes confrontos mataram centenas de pessoas. O governo aprovou uma diretiva para perseguir os insurgentes e bloquear todas as contas bancárias do TTP, disse o porta-voz da pasta, Mukarrab Mukhtar. Malik acrescentou que o Executivo já comunicou a decisão a várias chancelarias estrangeiras.   O anúncio ocorre depois que o líder do governamental Partido Popular do Paquistão (PPP) e candidato à Presidência do país, Asif Zardari, reconhecer em uma entrevista à BBC que o movimento Tehrik-i-Taliban Pakistan (TTP) "deveria" ser ilegalizado. O TTP se formou em 2007 para coordenar as ações dos diferentes grupos taleban paquistaneses que operam nas demarcações tribais da conflituosa Província da Fronteira Noroeste e no cinturão pashtun fronteiriço com o Afeganistão. O movimento nomeou como chefe o líder fundamentalista Baitullah Mehsud, que tem sua base no distrito tribal do Waziristão do Sul, e nomeou outros líderes em várias demarcações.   Após o pleito de fevereiro, o novo Executivo iniciou conversas com o TTP e inclusive chegou a assinar vários acordos de paz para diversas zonas, que acabaram sendo suspensos perante o auge da violência fundamentalista. Quando Pervez Musharraf renunciou à Presidência, em 18 de agosto, o TTP sugeriu ao governo reiniciar as conversas, mas alertou que os atentados continuariam até que o Exército coloque fim às operações militares em vários pontos contra a insurgência.

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